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1ª Reunião Conselho Consultivo de Esporte
15/06/2005, 18h30min, Câmara Municipal de São Paulo.    

 Presentes:

Oziel   Santana
Programa Escola da Família
Heloisa Becker
Gabinete da Vereadora Soninha
Michael Mohallem
Gabinete da Vereadora Soninha
Luciano Ap. Gonçalves
Programa Escola da Família
Fábio Rocha
Centro de Estudos e Aplicação da Capoeira
Rodrigo Martins
Centro de Estudos e Aplicação da Capoeira
Werner Regenthal
Ana Flávia dos Santos

A Reunião iniciou-se com uma breve apresentação da proposta de Conselhos Consultivos e propostas de funcionamento. Seguiu-se uma apresentação dos presentes e respectivas entidades (acima relacionados).            

Demos , então,  início às discussões.

Em síntese, as falas levantaram os seguintes temas:

Presença do Skate nas aulas de educação física das Escolas Municipais.
Derrubada da pista de Skate no CDM Limoeiro no Jardim Iguatemi. Demanda de uma pista nova próxima à que foi derrubada.
Demanda da construção de pistas de skate nas Escolas Municipais.
Necessidade de mais campeonatos municipais de skate e sua presença nos Jogos da Cidade.
Empréstimo de equipamentos de segurança e eventual fornecimento de skate nos CEUs
Presença de instrutores de Skate nos CEUs (com a sugestão de se contratar estagiários do curso de Educação Física para exercer a função – essa mesma iniciativa pode ser aplicada também a outros esportes; capacitação desses profissionais).
Retomada de voluntários para aulas de esporte para a comunidade nos CEUs.
Importância da transparência na administração dos CDMs (Centros Desportivos Municipais) e seu acesso à comunidade.
Importância da integração entre as Escolas Municipais e os CDMs
CDMs como formadores de atletas.
Inserção da Capoeira na grade curricular das Escolas Municipais
Dificuldade da comunidade de se envolver com eventos esportivos por falta de material e recursos financeiros para transporte e alimentação.

Encaminhamentos:

Acompanhamento por parte do Gabinete na CPI dos CDMs.
Reunião com a Secretaria Municipal do Esporte sobre o uso dos CDMs pela comunidade.
Reunião com o responsável pela área esportiva da Secretaria da Educação sobre o fornecimento de equipamentos esportivos para as Escolas Municipais.
Informe, no início das reuniões, sobre os principais acontecimentos da área nos 30 dias que antecedem cada reunião.

Próxima reunião:

2ª Reunião do Conselho de Esporte; dia 03/08/05, quarta-feira, 16:00h, na Câmara Municipal de São Paulo

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Esporte = inclusão social

 Inclusão social. Essa foi a tônica do seminário “Esporte, Cidadania e Políticas Públicas”, organizado pelo gabinete (18 de abril, aqui na Câmara). O encontro reuniu cerca de 30 pessoas, entre líderes comunitários, atletas e educadores.
 Fizeram parte da mesa o jornalista Juca Kfouri; a líder comunitária Tia Eva, presidente da ONG Novo Glicério, cujo depoimento emocionou os presentes; o presidente da Confederação Brasileira de Skate, Alexandre Vianna; a ex-jogadora da seleção brasileira de basquete, “Magic” Paula, hoje diretora do Centro Olímpico do Ibirapuera; e o professor Neílton Moura, técnico da seleção brasileira de atletismo.
 As falas foram “ricas, estimulantes”, como a própria Soninha bem descreveu aqui no site, na seção “Últimas”. A seguir, um apanhado das notas que a Soninha tomou dos depoimentos, com poucas alterações.

• Alexandre Vianna – Presidente da Confederação Brasileira de Skate

- No começo não tinha cobertura da mídia e o número de eventos era reduzido. Foi para os EUA com o Bob (Burnquist, campeão mundial) “observando o mercado americano, tem de criar um mercado brasileiro”.  A Confederação foi fundada em 99. Residente e competidor – esportista apaixonado.
- o skate ainda é um esporte marginalizado, com pouco espaço, apesar do número de praticantes.
- Abril 2000: Pesquisa Datafolha – 6% dos domicílios têm praticantes de skate. “Tá vendo? Tem demanda”.
- Coordenadoria da Juventude – gestão da Marta Suplicy – pesquisou: o skate é o segundo esporte mais praticado nas escolas municipais.
- A juventude tem muita identificação com o skate - esporte urbano: “É um estilo de vida. Você não vai, pratica e volta: você vive. E tem hora em que é importante socializar, criar identidade”.
- “Todo mundo é atacante, todo mundo pode ser ‘o cara que faz o gol’. O Brasil é o único país fora os EUA com indústria nacional de skate. Isto é bom para formar a base; por isso, hoje temos grandes campeões internacionais. Somos hoje, a segunda potência mundial no skate”.
- Preocupação Social: “a maioria dos eventos é de base, de eventos menores”.
- “Cinco anos atrás existiam duas pistas mal feitas na cidade de São Paulo. Hoje são 60. No Brasil, são aproximadamente 1.000. A estrutura melhorou. E agora? Deve-se usar o skate como vetor de inclusão – qualquer classe pode andar. O garoto que tem paixão pelo skate, se envolve no esporte de outro jeito - o relacionamento apaixonado permite crescimento”.
 - “Desenvolvendo o skate, ajudamos a criar um país melhor”.
- Exemplo de política pública bem-sucedida: “Barueri tinha um problema muito grande com pichação. O Secretário disse: ‘Eu tenho um problema, quero saber qual é o de vocês. De repente eu resolvo o de vocês, vocês resolvem o meu’. A molecada respondeu: ‘A gente não tem show de rap, não tem onde desenvolver o hip hop na cidade e não tem onde andar de skate’. Então o Secretário propôs: ‘Vou fazer uma concha acústica, show de rap todos os finais de semana, oficina de Dj, oficina de skate, pista de skate. Em troca vocês não picham mais o prédio da Prefeitura!’ Resultado: foram construídas 7 pistas e a cidade se manteve limpa. Os jovens tiveram uma troca, um exemplo muito importante. Você conversa e supre uma demanda, e forma jovens com mais senso de cidadania.”

• Juca Kfouri -  Apresentador e Jornalista Esportivo.

- “Jornalista por quê? Se eu fosse vereador incrementaria a cidadania por intermédio do esporte”.

• “Magic” Paula – Diretora do Centro Olímpico de São Paulo, ex-jogadora de basquete

- “Sei que existem problemas no esporte, sei o que quero fazer, mas, por onde começar?”. A favor do esporte como INCLUSÃO. “Dar treino de basquete? Acabaria excluindo muita gente. O que aprender com o esporte? O que eu carrego na minha vida hoje? Convivência em grupo, ganhar e perder, hierarquia, disciplina.”
- “O esporte pode muito mais do que formar o atleta. A maioria não vai ser atleta, mas vai carregar a bagagem que o esporte conseguiu de forma lúdica, recreativa.”

- “Hoje o Centro Olímpico é excludente. Ficam os melhores, os que têm talento, jeito para a coisa. O Centro Olímpico tem hoje, 754 jovens em 10 modalidades. Se 5 ou 10 tornarem-se  atletas defendendo o Brasil, é muito.”
- “Eu não conheço esporte sem ser na escola.  Eu tive o privilégio de ser sócia de um clube - depois da escola ia para o clube.”
- “Nas escolas o esporte não é encarado como matéria tão importante quanto a matemática, etc. Em Cuba, os jovens despertam para o esporte já na escola.”
- “É preciso adaptar os espaços que a cidade tem.”
- “Os administradores dos CDMs (Centros Desportivos Municipais) têm de ser pessoas com conhecimento do esporte, com gosto pelo esporte, com experiência e visão. Assim, nos CDMs seriam descobertos os talentos.”
- “Professores matam os talentos – ‘eu que fiz, vou mandar para outro lugar’” (referindo-se ao egoísmo dos professores).
- “Tem de abrir espaços esportivos. Ex.: Sambódromo que é usado uma vez por ano. Por que não abrir para quem faz, para quem é sério? ONGs??”
- “Skate não é esporte olímpico, mas quero falar com o Alexandre Vianna, para abrirmos um espaço no Centro Olímpico. Uma pista não é tão caro assim.”
- “Há muito tempo não tem concurso na Prefeitura; não dá para ampliar modalidades. Idéia: agregar o que temos de bom com o que outros têm de bom. Ex.: a gente dá lanche e condução, a Confederação dá professor e equipamentos (vôlei de praia e etc). Por que não colocar pessoas sérias?”

• Dona Eva – Líder comunitária, Presidente da ONG Novo Glicério

- “Saí de Catanduva em 1968, tenho 50 anos. Nessa época o pessoal ia buscar as meninas para trabalhar (empregadas, faxineiras). Vim, fiquei dois anos e não deu certo. Fui para a rua e caí na prostituição. Um dia, descendo a Brigadeiro, o Senhor me mandou um anjo para me oferecer um trabalho: ‘eu preciso de uma menina esperta que nem você’, disse a mulher. Eu dormia na rua, hoje eu tenho lar, família, crio um menino (tinha uma quadrilha no meu bairro, a mãe dele foi presa, grávida de 2 meses. Eu fazia trabalho social na cadeia, e peguei o menino para criar. Hoje ele tem 7 para 8 anos). Fui morar na baixada do Glicério, vi um quadro triste lá: crianças saindo da escola e não tendo para onde ir. Meu prédio tem 24 andares, 16 quitinetes por andar. Em cada “kit” há, em média, de 4 a 3 filhos. Estamos a cinco minutos da Praça da Sé e não temos uma área de lazer. Então, eu via todas estas crianças saindo da escola  e não tendo para onde ir. Eram aviõezinhos e ganham R$80,00 por dia. Aí vai querer estudar e trabalhar para quê?
Como eu tive uma oportunidade, pensei, ‘e se eles também tivessem?’
No jornal do meu patrão vi uma matéria de quando as Chiquititas chegaram no Brasil. Vi também, sobre uma escolinha de futebol no Centro Olímpico – o Zé Maria, Mirandinha, era o diretor. As crianças gostavam de futebol, então resolvi ligar para o Centro Olímpico e o próprio Mirandinha atendeu. Expliquei a situação para ele, e ele me perguntou: ‘quantas crianças você tem?’ Disse que eu tinha 50. Ele marcou a data para o teste dos meninos, mas não pagavam a condução. Eu não podia pagar, então fomos todos para o ponto, parávamos os ônibus e pedíamos para deixá-los passar por baixo. Como eram muitos, tínhamos que colocá-los aos poucos em cada ônibus, alguns motoristas nem paravam.
O treino da meninada ficou marcado para todas as terças e quintas-feiras. Eu já não podia acompanhá-los, tinha que fazer faxina, então os motoristas não os deixavam passar por baixo e eles acabavam chegando atrasados nos treinos. Como no Centro Olímpico não podia chegar atrasado, eles acabaram perdendo a vaga.”
- “Eu trabalhava como faxineira e metade do salário ficava no projeto.”
- “Na Taça São Paulo, ficamos em 4º lugar. Na hora da inscrição disseram para mim: ‘não fale que é da Baixado do Glicério. Se é droga, crime, é da Baixada’. Eu pensei: ‘não, o que é bom é da Baixada também’. Levei três times. Competiam junto com os times do São Paulo, Palmeiras, S. Caetano. Quando entramos, a Comunidade Esportiva Glicério foi super aplaudida. De 800 meninos, o nosso ganhou o torneio de embaixadinha.”
- “Em 2002, tivemos morte, toque de recolher no Glicério. Eu tentava falar com as autoridades, mas não conseguia. Se eu fosse a Xuxa, conseguiria.” (Aproveitou reportagem de crime para falar na TV): “ Se Geraldo (Governador de SP) me conhecesse, ele ia me ajudar. Meu trabalho é para evitar que isso aconteça. Mas as TVs diziam que só faziam entrevista se fosse para falar de crime, PCC e etc. O Jornal da Tarde quis falar comigo, mas pensei: ‘na TV aparece eu falando, no jornal não sei não’” (referindo-se ao fato de que no jornal poderiam colocar informações que ela não dera). “O JT insistiu por uma semana, então aceitei: ‘se for sair o que eu falei, tudo bem’. Título da matéria: ‘Vida de favela na Baixada’. Mas no dia seguinte a Primeira Dama mandou um carro em minha casa, pois havia lido a reportagem.”
- “Alguém me deu oportunidade. Sem ela, onde eu estaria? Presa? Morta?”
- “Não entendo de futebol, mas gosto. Não gosto de novela, gosto de programa esportivo.”
- “Hoje consegui parte do terreno onde ficavam os tanques (carros da polícia) para fazer esporte.”
- “Cada porta que bateram virou degrau da escada. Cheguei onde cheguei subindo nos ‘nãos’.”


• Neilton Moura – Técnico da Seleção Brasileira de Atletismo.

- Estudou em escola pública e em 1975, seu professor de educação física o levou para conhecer a pista de atletismo do Ibirapuera. A pista foi construída para sediar os Jogos Pan-americanos, que acabaram acontecendo no México. João do Pulo ganhou o Pan.
- “Eu era alto e forte para 14 anos, meu treinador queria que eu fosse saltador. ‘É assim e assado’, ele tentava me explicar. ‘Eu sei como é, já vi na TV’. Fui para a pista e saltei. Como fui melhorando minhas marcas, consegui bolsa na Universidade. Chegou a idade de competir na elite, vi que não era o caso.”
- “Fiz parte do programa ‘Adote um Atleta’, idealizado por Caio Pompeu de Toledo – atleta mais fisiologia, nutrição, psicólogo, dentista....”
- Na juventude, pôde ser estagiário no próprio Centro Olímpico.
- Terminou a faculdade, foi trabalhar no Centro Esportivo de Sto. Amaro, que tinha pista oficial e ótima.
- O Centro Olímpico organizava eventos entre Centros Esportivos Municipais e assim revelava talentos. “É mais importante ter um monte de crianças jogando a bola para cima do que a bola caindo na cesta”.
- Nesta época, 83, 84, a Secretaria de Esportes de SP tinha o “Campeonato Colegial”. Ele ia convidar garotos para o Centro Olímpico. Quando a escola se classificava para a final, tinha o direito a um ônibus para levar os alunos ao Ibirapuera. A arquibancada ficava lotada, com amigos assistindo os eventos.
CORTARAM O ESPORTE ESTUDANTIL POR CAUDA DO CUSTO...
- Foi trabalhar em empresas que se associavam a esporte. Ex.: USP – XEROX, que tinha um programa que visava proporcionar atividades esportivas à crianças da região. Ideal do Lobo – reitor: abrir as portas da Cidade Universitária para a comunidade. Fazer esporte e usar o hospital, faculdade de psicologia, educação física e etc. Graduados e pós-graduados trabalhavam no projeto com pesquisa. A equipe se tornou a melhor do Brasil.