Mandato da Vereadora Soninha Francine

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“Sabe que eu também já pensei nisso”?

2 de outubro de 2017

É uma pergunta sem lado, sem moral, sem expectativa de que alguém saiba a resposta…

… talvez apenas em busca de uma alma gêmea (“sabe que eu também já pensei nisso”?).

No Brasil, pensamentos separatistas são tidos como movimentos de direita, ou de gente reacionária, elitista, que se considera “acima” dos (até então) co-patriotas e não quer se misturar. Mas os separatistas da Catalunha, salvo engano, gozam de simpatia da esquerda. Por que? Porque o “governo central” espanhol é anti-democrático? A Espanha não é um país democrático? E o Brasil, é mais ou menos democrático do que a Espanha?

Os catalães dizem, entre outras coisas, que carregam a Espanha nas costas e se revoltam com o peso de medidas recessivas impostas a eles. “A economia da Catalunha representa 19% do PIB espanhol e ajuda a financiar todas as demais regiões do país” (via El País). Bueno, não é esse também um argumento dos defensores de “O Sul é meu país”? E se os separatistas do Sul do Brasil disserem que são sub-representados no Congresso, enquanto sua contribuição aos cofres federais é “sobrepesada”?

Eu, dialeticamente (?!), sou a favor das duas coisas. Quem quiser se separar, que se separe. Quem sou eu para dizer que Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná têm de continuar sendo “Brasil”? Deixe que se separem e organizem! Aliás, acho que quanto menores os territórios nacionais, mais fácil governá-los, reduzir desigualdade, promover bem-estar. AO MESMO TEMPO, sou defensora de um mundo com menos fronteiras, vistos, alfândegas, nacionalidades. Seja a República Farroupilha ou a República Catalã, que tenha sua autonomia administrativa, política e jurídica, mas que não sejam criadas novas barreiras a “estrangeiros”. Por um mundo sem estrangeiros!

Para encerrar, um tema hiper atual e pulsante: referendos e plebiscitos.

Muitos os consideram as formas supremas da democracia: “a população decide”. Mas foi pra isso mesmo que “fizemos” democracia? Para que tudo se decida em “sim ou não”, “a favor ou contra”? Polaridade sem nuances, decisões sem complexidade? A maioria sempre vencerá – e o que será de quem não é (e nunca será) maioria? Condenada à submissão SEMPRE? E quem não se sente contemplado por um definitivo “SIM, pode prosseguir, senhor governo”, ou “NÃO, não autorizo que isso seja feito”, vai ter sempre de optar pelo menos pior, o que lhe parecer menos trágico, menos errado?

Como vamos decidir Planos Diretores Estratégicos, Planos Plurianuais, Políticas Habitacionais e de Meio Ambiente, Planos de Mobilidade? “Vocês querem que tenha um corredor de ônibus aqui? ( ) sim, ( ) não”. Acabaremos reduzindo a política a uma linha de 0800: “Para privatizar, tecle 1. Para estatizar, tecle 2”.

Sem falar que decidir QUEM deve responder ao “vocês querem?” é, em si, uma medida arbitrária. Se a pergunta for “vocês querem que aqui seja uma reserva indígena ou um parque estadual?”, “vocês querem que aqui seja área de preservação permanente ou de moradia popular?”, “vocês querem transposição do São Francisco ou cisternas?”, quem tem o direito de decidir? Todo o povo da cidade/ estado, região? Se for só uma parte… Qual parte??

A Democracia representativa é cheia, mas é CHEIA de problemas que merecem e exigem permanente revisão, reavaliação e aperfeiçoamento. Mas sua qualidade inigualável é permitir que o maior número possível de visões se faça presente nas decisões – e a democracia participativa é o complemento perfeito e indispensável dela, para que os representantes não acabem sendo inacessíveis e indiferentes aos representados.

Postado originalmente no perfil da Soninha no Facebook

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Last modified: 3 de outubro de 2017

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