Mandato da Vereadora Soninha Francine

Pronunciamento da Soninha na 62ª Sessão Ordinária

31 de outubro de 2017

Data: 18/10/2017

Via Taquigrafia da CMSP

A SRA. SONINHA FRANCINE (PPS) – Sr. Presidente, todas as coisas que tenho a dizer não caberão em cinco minutos, mas, enfim, é muito importante que a gente concorde ou discorde do que realmente é proposto, defendido.

Já passei muitas vezes por isso. Por exemplo, defendo a legalização da maconha, e já disseram até que sou a favor de distribuir maconha na merenda escolar. Sai na imprensa, vira notícia, viraliza em rede social.

Discordo de várias palavras, ações e decisões do Prefeito João Doria na área da assistência social, tanto é que não continuei Secretária. Discordo de várias posturas do Sr. Prefeito, da forma como ele se referiu a Alberto Goldman, da forma como ele, por extensão, referiu-se aos idosos. É inaceitável. Agora, que se discorde do que realmente é.

Não sei quem chamou o suplemento alimentar de ração. Se foi o próprio Prefeito, foi um absurdo; se foi a imprensa, é típico: atribuir um nome jocoso a uma proposta.

Há muitos anos, por exemplo, a Pastoral da Criança recorre a uma farinha multimistura como suplemento alimentar de deficiências diversas.

– Manifestação na galeria.

A SRA. SONINHA FRANCINE (PPS) – Não o quê, gente? Não é verdade? A Pastoral da Criança, há mais de 15 anos, recorre à farinha multimistura com resultados muito bons.

Sabe o que aconteceu? Vários nutricionistas já se manifestaram condenando a farinha multimistura dizendo que ela é insegura, porque a folha da mandioca contém elementos que podem ser perigosos para consumo humano, e realmente podem. Também criticaram o uso de casca de ovo, que faz parte da farinha multimistura, adicionada à alimentação por ação da Pastoral da Criança e recomendações diversas; e os nutricionistas criticaram porque na casca de ovo pode ter a bactéria Salmonella.

E o que a Pastoral fez? Publicou muitos esclarecimentos, inclusive para dialogar, confrontar posições dos nutricionistas, ou das associações de nutricionistas, dizendo: “Sim, se for adquirido o farelo numa loja que fornece alimentação para animais, isso não pode ser usado. Agora, o preparo do farelo com a casca de ovo, moída em casa, devidamente higienizada, com a folha da mandioca preparada assim e assado, com o farelo assim e assado, isso é possível”.

Se alguém imaginou – seja quem for – que o Sr. Prefeito estava propondo substituir comida pelo farelo multimistura, pelo suplemento, imaginou completamente errado, porque isso seria absurdo, abjeto; mas não foi essa a proposta. Defender o Sr. Prefeito no que eu não discordo dele eu vou defender, no que foi dito de maneira errada. Em nenhum momento se propôs substituir alimentação natural, balanceada, por ração, ou mesmo o farelo, a mistura, como foi determinada.

O projeto tramitou na Casa, e o Vereador autor propôs que fosse votado, sim, o quanto antes, para que ficasse alinhado a uma política nacional de função social do alimento e combate ao desperdício. Aliás, o desperdício de alimento no Brasil é escandaloso. E hoje se tem uma política nacional, estadual e também uma política municipal de reaproveitamento de alimentos em totais condições para o consumo humano. Já temos há muitos anos em São Paulo, com uma atuação maravilhosa, o Banco de Alimentos, que, se não me engano, remonta à Prefeitura da Marta; temos uma ação do Sesc, o Mesa Brasil, que trabalha com isso. Tipos diferentes? Sim, mas é reaproveitamento de alimentos que, do contrário, iriam para o lixo. Então agora existe, pelo menos em São Paulo, uma política nas três esferas – não sei como está sendo nos outros estados e municípios.

O projeto trata de uma política pelo uso social do alimento e pelo combate à fome e ao desperdício. Discordar da ideia de se acrescentar um suplemento alimentar na alimentação fornecida pelo serviço da Prefeitura é uma coisa, é verdadeiro, honesto – “olha, eu não acho que tem que ter suplemento alimentar”, “não acho que isso tem que ser oferecido” –, ok, mas discordar do que não é e nunca foi proposto, que é substituir alimentação por esse outro preparo, não cabe, porque não se está discordando do que realmente vai acontecer, a suplementação.

Muito obrigada.

 

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Last modified: 31 de outubro de 2017

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