Mandato da Vereadora Soninha Francine

Fórum debate utilização da Cannabis em benefício da saúde

6 de abril de 2018

A segunda edição do Fórum de Cannabis Medicinal reuniu grandes nomes da medicina, pesquisadores e pacientes na tarde desta sexta-feira, no Auditório Prestes Maia da Câmara Municipal. O evento, que teve seu primeiro encontro em dezembro do ano passado, tem apoio do mandato da vereadora Soninha Francine.

Especialistas viram a necessidade de retomar a discussão sobre o uso medicinal, a política de drogas e redução de danos, e a legislação brasileira. Apesar de a ciência comprovar que determinados compostos da planta são eficazes no tratamento de diversas doenças, pacientes e usuários ainda são tratados como criminosos no Brasil.

“A Câmara tem o papel de fiscalizar o Executivo, investigar determinadas questões e debater assuntos importantes para a sociedade. Nosso mandato tem um papel muito grande em comunicar, passar adiante para que as pessoas tenham repertório maior de informações e que nossa atuação seja cada vez mais efetiva”, disse Soninha.

Participaram da mesa de abertura Dr. Elisaldo Carlini, médico especialista em Psicofarmacologia, professor emérito da Unifesp e diretor da Associação Cultive; e Dra. Eliane Guerra, médica psiquiatra e psicanalista.

Foram debatidos temas como o sistema endocanobinóide e sua aplicação clínica, pelo neurocientista Dr. Renato Filev, Cannabis medicinal e dor: a experiência no mundo, pelo Dr. Ricardo Ferreira, médico especialista em dor e coluna, além de Cannabis Medicinal e Aids, com a psiquiatra e psicanalista Dra. Eliane Guerra Nunes.

Antes de abrir para perguntas dos convidados, o debate foi enriquecido com relatos de Gilberto de Castro, paciente que utiliza o cannabis em tratamento de doenças, e de Cidinha Felício de Carvalho, presidente da Associação Cultive.

“Estamos com atraso em um medicamento que existe há mais de cinco mil anos. Já era receitado e continua até hoje em outros países. É uma pena que o Brasil ainda não esteja nas rabeiras desse programa”, afirmou o Dr. Elisaldo Carlini.

Histórico

Em 1964, o cientista búlgaro radicado em Israel Raphal Mechoulam isolou e descreveu a estrutura de dois compostos da maconha, o THC (Tetrahidrocanabinol) e o CBD (Canabidiol). Nas décadas de 80 e 90, a partir da descoberta do sistema endocanabinóide – ECS, presente em todos os mamíferos, constatou-se que muitas doenças se devem ao seu desequilíbrio. Por exemplo, a falta dos endocanabinóides, como a Anandamida, análoga ao THC, no Alzheimer, ou o efeito antiepilético do CBD.

E assim a ciência redescobriu o uso medicinal dessa planta conhecida pelo homem há milhares de anos, utilizada de muitas maneiras por vários povos ao redor do planeta ao longo de toda nossa história.

No século passado, por interesses econômicos e políticos, sustentados por um alegado discurso médico, instaurou-se o modelo de guerra às drogas.

Como é comum às guerras, esta resultou em milhões de mortes pelo mundo, seja nos conflitos violentos relacionados ao narcotráfico ou por prejudicar a pesquisa e o acesso ao medicamento por milhares de pessoas que deles se beneficiariam.

Em muitos países, a pesquisa avança e a legislação é atualizada velozmente. Porém, nos países onde as leis são ambíguas, como no Brasil, pacientes e usuários são tratados como criminosos, presos e condenados como traficantes. Perdem o direito à saúde, a liberdade e, muitas vezes, a sua própria vida.

Faz-se necessária, portanto, a retomada da discussão do uso medicinal, da política de drogas e das mudanças na legislação. O Fórum Cannabis Medicinal é um espaço de interlocução entre a sociedade e os pacientes de cannabis sativa para a conquista do direito à saúde, conforme garante a Constituição Cidadã.

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Last modified: 19 de abril de 2018

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