Mandato da Vereadora Soninha Francine

Alguém escolhe por quem se apaixona?

28 de junho de 2018

Por Soninha Francine

Hoje é Dia do Orgulho LGBTI, mais um dia para lembrar da importância do combate à homofobia. Primeiro, tratemos de explicar o que é “fobia” neste contexto: “medo, aversão ou ódio irracional contra a população LGBTI”.

“Ódio irracional” é quase um pleonasmo, mas algumas vezes as pessoas podem ter motivos para odiar alguém – “Fulano foi muito sacana comigo”; “esse desgraçado dirigiu bêbado e matou meu filho”. Compreende-se.

Mas o ódio homofóbico é por NADA – a não ser pelo fato da pessoa ter orientação sexual diferente do “”normal”” (com dois pares de aspas de propósito). É odiar alguém que nem conhece, que passa na rua, que não te fez mal NENHUM por ser gay, lésbica, travesti ou transexual.

É não tolerar a EXISTÊNCIA da pessoa; querer eliminar do planeta.

Que a pessoa ache que homossexualidade é “errado”, porque é antinatural ou contra princípios religiosos – que seja. Mas querer impedir, proibir, prejudicar, punir, agredir (matar!!!!) alguém por ser homossexual – não pode.

Matar não pode, agredir não pode: isso a lei já prevê. São crimes e não se discute. Mas a motivação homofóbica não é um agravante, e poderia ser. Deveria. O crime por discriminação é odiento (e hediondo).

Quanto ao resto, não é crime. Barrar uma pessoa em um restaurante, tratar de modo enviesado, criar regras diferenciadas e prejudiciais por ela ser gay, lésbica, bissexual, travesti ou transexual não constituem crime.

Criminalizar a homofobia é uma das maiores reivindicações do movimento LGBT.

Quanto ao nome do Dia Internacional: a partir de agora, diremos “LGBTIfobia”. Porque infelizmente é preciso ressaltar todos os tipos de fobias… Lésbicas reivindicavam “lesbofobia”, uma vez que há formas típicas de perversidade contra elas (outras rejeitavam a especificação, uma vez que o “homo” é de “mesmo” e não de “homem”…). Travestis e Transexuais também exigiam a especificação “transfobia” – aí faz sentido indubitavelmente.

Tem gente que aceita gays, lésbicas e bissexuais, mas tem repulsa a pessoas Trans. Tem gays e lésbicas com transfobia!!!

Enfim, para não esquecer nenhum tipo específico de discriminação e não usar “homolesbotransfobia”, a sociedade civil (que já conseguiu outras mudanças antes, como transformar GLBT em LGBT para garantir um pouco mais de atenção para as lésbicas) decidiu adotar LGBTIfobia. Acho ótimo.

Às vezes os movimentos sociais exageram na exigência de determinadas nomenclaturas – eu não gosto da palavra “afrodescendente”… Mas no caso das pessoas LGBTI, elas realmente importam.

Entender que o certo é “orientação” e não “opção” sexual é fundamental! Uma pessoa não “opta” por ser homossexual – tanto quanto ninguém opta por ser hetero. A gente se apaixona por alguém e não sabe explicar; se apaixona não porque a pessoa tem pênis ou vagina, mas porque a pessoa mexeu com a gente de algum jeito misterioso… Quem nunca se apaixonou por alguém aparentemente “nada a ver” e nem sabe por quê??

Se fosse opção, a pessoa poderia ser convencida a mudar de “ideia”, escolher outra alternativa. Mas é “orientação sexual” porque é descoberta, é constatação.

Enfim, agradeço a quem leu até aqui – principalmente se é alguém que não aceita homo ou transexualidade. Sinal que ao menos “ouviu” meus argumentos.

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Last modified: 28 de junho de 2018

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