Mandato da Vereadora Soninha Francine

Ele tem o nome de Água Podre, mas é de berço – Por Soninha

29 de junho de 2018

O córrego no Butantã, à beira da Raposo Tavares, servia de pausa para refresco dos viajantes muito antes de existir a estrada com nome de Bandeirante, e deve ter sido batizado por eles. A água tem um componente natural, algum minério, que a deixa com aspecto enferrujado onde empoça.

O terreno onde ficam suas nascentes ia ser vendido para a construção de um conjunto de edifícios. Com recursos de um Termo de Compensação Ambiental, a prefeitura desapropriou os terrenos e garantiu sua preservação (Evoé, Eduardo Jorge! Valeu, prefeito Kassab!).

O córrego começa a ficar sujo quando passa por baixo do CEU Butantã… Ele surge do outro lado, na rua de baixo, fedido que só. Entre um ponto e outro, há uma laguinho incrível, com peixe e tudo.

As águas misturadas a esgoto percorrem um primeiro trecho com as margens de terra, que seriam lindas se estivessem limpas e preservadas. Mas o asfalto chegou bem perto da beirada, e agora elas despencam por baixo dele. Para tentar conter o desmoronamento, alguns jogam entulho. Outros acham que o córrego é bom destino para o lixo, e coitado do Água Podre.

Mas tem gente que respeita e cuida. Ao longo de seu caminho, moradores do entorno cercam alguns trechos e fazem hortas e pequenos jardins.

A prefeitura também já fez investimentos nesse que será o trecho a jusante do Parque Linear do Córrego da Água Podre: famílias que viviam em casas e barracos em cima dele foram removidas e estão recebendo Bolsa Aluguel há anos. Dois grandes terrenos vizinhos foram adquiridos para a construção de conjuntos habitacionais para onde elas vão se mudar, que já têm projeto executivo pronto.

No governo passado, tudo parou. Está difícil segurar as margens desocupadas. A população, que se mobilizou intensamente pelo parque, está empenhada nisso, mas desanimou… Vamos tentar botar ânimo nisso – e dinheiro. Eu apresentei emenda à Lei de Diretrizes Orçamentárias estabelecendo o Parque como prioridade no ano que vem, mas ela não foi acatada pelo relator. Não é que ele tenha se oposto a isso, mas o Água Podre não passou na peneira que usou para tentar contemplar um pouco de cada vereador (já que não cabe tudo no orçamento ao mesmo tempo…).

Mas eu vou insistir. Quero garantir recursos na Lei Orçamentária. Ter dinheiro especificado para esse fim é o que realmente pode fazer a obra acontecer, mais do que a inclusão no texto da LDO. Fiquei contente ao tomar conhecimento do quanto já foi feito; pensei que ainda teríamos de brigar por um Decreto de Utilidade Pública no terreno que já foi desapropriado, por exemplo. Mesmo parado, o Parque está mais bem encaminhado do que eu pensava!

Esse projeto faz parte de uma das ações mais importantes do mandato: nosso engajamento na defesa do Rio Pinheiros. Se esgoto e lixo chegam ao rio carregados pelos córregos, comecemos por eles!

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Last modified: 29 de junho de 2018

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