Mandato da Vereadora Soninha Francine

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“A regra já não é muito clara, é grandemente desconhecida e, pra completar, os comentaristas… Afe maria”

6 de dezembro de 2018

Política é uma atividade humana das mais complexas, e as pessoas não sabem nem o básico. Acompanhá-la sem saber as regras do jogo é como assistir a um esporte sem entender patavina: é gol? ponto? ippon? foi falta? quem tá na frente? dá tempo de virar?

Sem saber as regras, é fácil achar que o perna-de-pau é um craque porque fez um golaço, ou que o gênio é um tosco porque perdeu um pênalti.

Não se aprende nem o básico da política da escola, com partido ou sem partido, com gênero ou sem gênero. Mitocôndria cai na prova, saber a reprodução das pteridófitas pode ser decisivo para passar no vestibular de Gestão Pública. Mas quociente eleitoral, Legislativo/Executivo/Judiciário, Comissão de Constituição e Justiça, Execução Orçamentária, liderança de governo, manobra regimental, obstrução, votação simbólica? Pode-se formar pós-doutor em quase tudo sem nunca ter aprendido uma linha a respeito.

A regra já não é muito clara, é grandemente desconhecida e, pra completar, os comentaristas… Afe maria.

Sem aprender na escola, aprende-se “na mídia” ou “na rua”. Vale para sexo, vale para a política – aprende-se muita bobagem…

Algumas ONGs e Jornalistas tentam, por exemplo, medir vereadores pelo numero de projetos apresentados e aprovados. Ora ora. Um péssimo vereador pode ter mais PLs aprovados do que um vereador criterioso, rigoroso, crítico.

Outro critério usado é assiduidade em sessões plenárias. “Tiririca é uma boa surpresa”, disseram. “Um dos que menos faltam”.

Não precisa pensar muito para concluir que estar presente – ou registrar presença no painel – não é prova de qualidade. CLARO, estar muito ausente é mau sinal, acende um sinal de alerta. Mas acredite, às vezes o vereador que não registrou presença, que está no anexo ou até mesmo fora do prédio, está fazendo um trabalho melhor do que o que está sempre na sua cadeira.

Eu sou do tipo que está sempre na cadeira, do começo ao último suspiro da reunião, então posso falar sem suspeita de autodefesa…

Como disse outro dia, exatamente porque estou sempre presente, e porque amo muito trabalhar muito, fico feliz quando cancela o plenário. Ufa, posso fazer um milhão de coisas mais úteis.

Ainda que o plenário fosse hiper produtivo, com debates verdadeiros e um fluxo permanente de projetos para avaliar, legislar é UMA de nossas funções aqui. E o processo de construção bem feita de PLs passa muito mais pela análise nas Comissões do que por aqui, onde tudo deságua em sim/não/abstenção.

Massss a mídia… Uma rádio, em especial… Descobriu que os vereadores frequentemente desmarcam as sessões de quinta-feira e, com a superficialidade que lhe é peculiar, concluiu: “Estão se dando folga”.

Véi. Às vezes eu me dou folga. “Minha cabeça tá soltando fumaça, vou jogar 5 min de candycrush enquanto baixa esse vídeo” (é meu “cigarro”, faz bem menos mal). Ou a Lylian me dá folga: “Domingo à tarde você não vai pra lugar nenhum”. Às vezes eu trabalho escondido dela.

Mas folga em horário de sessão plenária, ou em qualquer outro horário entre 7h00 e 21h00… Não tenho não. Faltam-me dois anos de mandato, não sei se terei outro, quero aproveitar cada minuto de possibilidade disso aqui.

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Last modified: 6 de dezembro de 2018

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