Mandato da Vereadora Soninha Francine

Se alguém paga 11% sobre o que ganha e se aposenta…alguém paga os outros 89%

4 de fevereiro de 2019

“Nós vamos parar a cidade”, gritou agora no megafone um dirigente do sindicato dos Servidores Públicos Municipais.
Não é difícil… :- ( Existem muitas maneiras de parar a cidade, fora as “normais”, diárias, renitentes.

O motivo da paralisação é a reforma da Previdência Municipal. Os servidores da ativa tiveram um aumento de 11% para 14% de sua contribuição para a Previdência. Significa um aumento de 30 reais por mês a cada mil de salário. Assim, quem recebe 2 mil reais terá um aumento de 60 reais; quem recebe 4 mil pagará 120 mais do que pagava até dezembro do ano passado.

Dói? Claro, quem é que quer receber MENOS. Mas por que esse aumento? Porque as despesas com aposentadorias e pensões aumentam enormemente a cada ano. Uma das razões é o manjadíssimo aumento da expectativa de vida. A pessoa contribui 30 anos e vive mais 45… Os aposentados de hoje, nas condições de vida de décadas atrás, já teriam partido. Agora não, você vai reunindo várias gerações de aposentados, o time vai aumentando.

Quem paga para que os servidores possam usufruir de aposentadoria? Os próprios inativos, que recolhem uma parte; os ativos e a população em geral. PRINCIPALMENTE a população em geral.

A população paga o meu salário, o de todos os servidores e TAMBÉM os aposentados e pensionistas. No Face e no zap circulou muito a mensagem de um servidor dizendo:

“Pago 11% de contribuição previdenciária sobre o que ganho, portanto, minha aposentadoria sou eu mesmo que pago, não se trata de nenhum “peso” extra para os cofres públicos”.

Perceba, se alguém paga 11% sobre o que ganha e se aposenta com 100% do que ganhava, como é o caso de muitos servidores… Alguém paga os outros 89%! E até o fim da vida do servidor.

Explico mais uma vez a conta da Previdência Municipal, que é infinitamente mais simples do que o INSS. Cada servidor recolhia 11% do seu salário EXCLUSIVAMENTE PARA A PREVIDÊNCIA. É um dinheiro que o governo não pode usar para mais nada (a menos que roube, como tantos já fizeram com dinheiro da Previdência, de impostos, de tudo). A prefeitura depositava o equivalente a 22% lá no caixa da Previdência. Só que somando essas contribuições dos servidores e do patrão, o valor arrecadado não dá nem para o cheiro do total de despesas com aposentadorias e pensões. Então a prefeitura, além da cota patronal, cobre o que faltar – e o que falta aumenta a cada ano, e já estava em 5 bilhões de reais.

Esse dinheiro faz falta… Só com a complementação da previdência lá se vai quase 10% da receita total do município. A reforma era necessária para não direcionar tantos impostos para a Previdência e poder utilizá-los para os outros fins (Habitação, Assistência Social, Meio Ambiente, Cultura etc) e para não faltar dinheiro para a própria Previdência.

Com a Reforma e o aumento da contribuição dos servidores, a prefeitura (isto é, contribuintes) CONTINUA pagando a cota patronal equivalente ao dobro da contribuição dos servidores e complementando o que faltar – 1 bi, 2 bi, quanto for.

Para os novos servidores, a história é outra… Sobre eles, eu falo depois. Afinal, não são os não-servidores que estão se manifestando contra a reforma da Previdência né.

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Last modified: 4 de fevereiro de 2019

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