Mandato da Vereadora Soninha Francine

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Sobre Carnaval e o presidente da República

7 de março de 2019

– O que eu acho sobre uma pessoa encenar masturbação e jogos sexuais em cima de uma banca de jornal? (no caso específico, enfiar o dedo no próprio ânus e se colocar abaixo de um jato de urina).

R: Acho errado. Mas não sei o que fazer em relação a isso. Existem alguns contextos em que as regras normais são ultrapassadas – Carnaval, arte, algumas festas. Mas… todas as regras? Eu acho que não. O espaço público tem algo de “sagrado”, porque afinal ninguém pode dizer “é meu”. É de todo mundo.

Como estabelecer o limite? Pois é, não sei. Talvez tivesse de publicar uma regra antes, “exibição e manipulação de genitais, com conotação sexual, não serão admitidos em vias públicas. As pessoas flagradas em tão condição serão conduzidas a um Distrito Policial para que seja efetuado um Termo Circunstanciado, como base no artigo x do Código Y”.

– É uma questão moral?

R.: Sim, de “certo” x “errado”, “adequado” x “inadequado”, “permitido” x “proibido”. Ao achar “errado”, estou aplicando um julgamento segundo meus critérios. Se isso faz de mim “moralista”? Bom, estou correndo o risco…

– É um questão ideológica de direita x esquerda?

R.: Não tem nada a ver com isso, mas, pra variar, virou 🙄. O presidente posta o vídeo da cena dando sequencia a uma narrativa sua – de que a esquerda transformou o Brasil num antro de degeneração, especialmente quanto a sexo. Alguns de nós, da esquerda, reagimos condenando o presidente pela intolerância, a ameaça de volta da censura, a ditadura da “moral e bons costumes” etc. Pronto, polarizou.
(Publicando o vídeo, Bolsonaro acabou exibindo para milhões de pessoas aquilo que muitas não teriam visto. É um velho dilema do jornalismo e redes sociais: mostrar algo que condenamos, que choca as pessoas, é uma boa forma de denunciar ou de promover o ato? Acabou reprovado por vários de seus seguidores…)

– Sexo se discute na escola?

R.: Sim, com certeza – esse tipo de coisa, por exemplo. No Carnaval vale tudo? Quais os limites? Quais os SEUS limites? E o limite do outro? E na internet, o que mostrar, o que assistir, o que compartilhar? O Twitter devia ter tomado providências antes que pessoas assistissem o que não queriam ver?
Mas o presidente acha que não… O mundo inteiro entende que a escola precisa falar de muito mais do que as matérias que “caem na prova”. A Câmara Municipal de São Paulo tem dezenas de propostas para incluir na grade curricular: educação para o trânsito, educação, ambiental, educação financeira, cidadania, noções de primeiros socorros etc. Os próprios bolsonaristas aprovam o ensino de religião nas escolas – que poderia ficar apenas a cargo dos pais, como querem no caso de sexualidade… Até porque é mais fácil falar de religião com os filhos do que tudo que está relacionado a sexo rs

– A esquerda é contra toda forma de censura?

R.: Vai nessa. Se as pessoas que fizeram as cenas de sexo em cima da banca de jornal estivessem, por exemplo, com máscaras de Dilma e Lula, mudava completamente de figura. Eu acharia feio e errado do mesmo jeito, mas muitos que se dizem 100% a favor da liberdade de expressão mudam de ideia quando suas referências são esculhambadas.

– Moral da história?

R.: Debater sempre, dividir o mundo em nós do Bem x eles do Mal, jamais.

Por Soninha Francine

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Last modified: 7 de março de 2019

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