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“Erros, erros e mais erros na matéria do Bom Dia SP sobre o SAMU” – Por Soninha

16 de abril de 2019

Erros, erros e mais erros na matéria do Bom Dia SP sobre o SAMU. Exemplo: “Antecipando que haveria um aumento de acidentes com o aumento da velocidade máxima, a prefeitura criou o programa Marginal Segura”. NÃO. A maioria dos acidentes acontece a velocidades muito superiores ao máximo permitido – 120, 150 km/h… Eu estava lá, participei do planejamento.

O então Secretário de Transportes observou que as marginais, assim como as estradas, são dignas de “operação”, não são vias “normais”. Isso incluía diversas medidas, como o aporte de ambulâncias em pontos estratégicos. Aí vem a Globo e diz que o programa “perdeu força” e as ambulâncias do Marginal Segura “passaram a atender outras ocorrências”.

PORRA, se você tem uma ambulância parada, ela tem de atender qualquer ocorrência que necessite!!! O Bocardi fez os comentários debochados de praxe, dizendo que “criam-se nomes fantasiosos”. Ô gênio, se houvesse uma ocorrência precisando de uma ambulância e a base informasse “Não podemos atender, aqui é Marginal Segura”, ISSO seria botar o nome fantasia acima do interesse público. Aliás, isso acontece muito no SAMU: descoordenadas, as bases “exclusivas” tinham autonomia em excesso, e às vezes deixavam de atender a um chamado porque a ocorrência era de baixa ou média gravidade, então “era melhor” ficar de prontidão, “vai que aparece algo realmente grave”! Eu VI acontecer: 30 chamados abertos e NENHUMA ambulância fora da base.

Depois a Globo fez um teste: saindo de um novo posto determinado pela prefeitura com a desativação de bases exclusivas (chamadas de “modulares”, instaladas em conteineres padrão Ninho do Urubu, que agora passaram a ser as melhores coisas do mundo porque estão fechando), uma ambulância levou mais de 12 minutos para chegar em um determinado ponto da marginal. Ah, sim, como se do posto anterior se pudesse alcançar qualquer ponto da marginal em menos de 12 minutos!! Mais uma vez, EU VI ambulâncias levarem bem mais do que isso para reagir a um chamado (por meio do controle informatizado na sede da Secretaria de Saúde, que fiz questão de conhecer).

Trabalhadores do SAMU reclamam “cadê os estudos que justificam as mudanças”? EU VI os estudos técnicos, baseados nos atendimentos realizados, distâncias percorridas, tempo de resposta. Mas um trabalhador “que não quis se identificar” disse que “não temos os números, mas é perceptível que o tempo de resposta piorou”, e isso vale.

Fui procurada pelo Sindicato para intermediar negociações com a prefeitura. Não morri de boa vontade; acho difícil dialogar com quem é do serviço de emergência e diz que está preocupado com o atendimento ao cidadão, o salvamento de vidas, mas entra em greve 😠. “A prefeitura radicalizou primeiro”, dizem. Não, a prefeitura participou de audiência e ofereceu a constituição de uma comissão paritária (metade dos integrantes seriam representantes dos trabalhadores) para examinar uma por uma as novas bases, fazer adaptações onde fosse necessário e possível, mudar onde não fosse; analisar os casos individuais de trabalhadores que fossem prejudicados com o fim dos plantões 24 horas, atendendo a uma queixa da categoria (veja, plantão 24 horas devia ser considerado uma aberração trabalhista, mas como ele permite até ter outro serviço, vira direito a ser garantido!) 😱

O SAMU é um serviço que depende DEMAIS da qualidade dos seus profissionais. Uma boa ambulância sem equipe não serve pra nada; uma boa equipe faz milagres até em uma viatura menos moderna. Já fui acudida por verdadeiros anjos nos meus muitos chamados para moradores de rua; também já passei horas de horror e perplexidade ao presenciar atitudes absurdas dos socorristas. Se e onde quiserem analisar de verdade os impactos das mudanças para os trabalhadores e PRINCIPALMENTE PARA A POPULAÇÃO, TAMO JUNTO. Mas sem integridade nada funciona, nem mesmo o debate.

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Last modified: 16 de abril de 2019

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