Mandato da Vereadora Soninha Francine

Conhecimento é respeito

6 de junho de 2019

Lésbicas

Gays

Bissexuais

Transsexuais

Intersex

+++ outras definições diversas que estão sendo criadas conforme a sociedade aceita e entende as diversas compreensões de identidade de gênero e sexualidade existentes.

É complexo, mas um pouco de boa vontade e informação evitam situações constrangedoras para este público e quem convive com a diversidade. A #EquipeSoninha já se deparou com muitos momentos desagradáveis e decidiu se debruçar sobre o problema. Para entender o que é preciso para evitar esses momentos, fizemos uma pesquisa focada principalmente nos usuários e profissionais dos serviços de saúde e assistência social da Prefeitura de São Paulo.

As respostas de 200 pessoas apontaram, entre outros dados, que 45% já enfrentou situações envolvendo violência, constrangimento ou dificuldade para o diálogo e que 48% não se considera suficientemente preparado para lidar com a população LGBTI+. Além disso, mais de 90% gostariam de receber orientações e participar de eventos.

Então realizamos, em parceria com a ONG Pela Vidda SP, na última sexta-feira, dia 31 de maio, a “Capacitação LGBTI+++ – compartilhando conhecimento para promover o respeito”. Para uma sala lotada (mais de cem pessoas <3) e diversa os palestrantes falaram sobre legislação, políticas públicas, direitos, conceitos e melhores formas de acolhimento.

Educação

O valor da educação neste processo foi destaque da Soninha na fala de abertura.

“Eu prefiro eu as pessoas respeitem por compreensão, por saber, por conhecer e entender e isso vale para todos os temas. A lei não pode ser a única razão, precisa sensibilização”.

Dirigindo-se aos presentes ela convocou:

“Cada um de vocês seja um polo de difusão e disseminação do conhecimento.”

Legislação

O advogado criminalista e defensor dos direitos humanos, Douglas Galiazzo, lembrou a Constituição Federal que, na teoria, garante em seu artigo 5º que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”, porém, na prática, não é assim que acontece.

“Vivemos uma sociedade que segrega. O macho alfa, branco e dominante ainda manda em tudo. Ele é ouvido e tudo que sai desse estereótipo, nós colocamos para baixo.”

Ele alertou ainda que a vitória na ação de equiparação da homofobia ao crime de racismo, que está em curso no Supremo Tribunal Fedeal – STF, é positiva, mas não resolve a questão:

“O Congresso foi omisso por anos, porque mistura-se religião com o direito e a lei. A votação já está está 6 a 0 para equiparar a conduta (da homofobia) à questão do racismo. Não é o ideal, porque teríamos que trabalhar com um tema específico, não equiparar, mas foi a forma que o Supremo encontrou de dar uma resposta à sociedade. Ainda assim, não podemos achar que isso é um respiro, porque o agressor vai continuar agredindo. É como o homem que agride a mulher, independente da lei (do feminicídio) ele agride”.

Políticas Públicas

O Cassio Rodrigo de Oliveira Silva tem uma vasta atuação em temas de diversidade sexual e falou sobre a necessidade de cada pessoa desconstruir o olhar sobre o tema.

“A Primeira desconstrução é em relação ao binarismo de gênero. Estamos acostumados a dividir os seres humanos em caixinhas, estabelecer os gêneros em masculino ou feminino e isso interfere diretamente nas políticas públicas”.

Ele lembrou de um exemplo de quando foi em busca de qualificação profissional para turmas LGBT.

“Para os homens o primeiro curso oferecido: cabeleireiro. Para as mulheres: azulejista. Existe uma questão de que o gay abre mão da sua masculinidade e a mulher lésbica no mesmo sentido migrou da sua feminilidade. Não é assim!”

Na questão da identidade de gênero o desafio é maior ainda.

“Temos pontos positivos, como o cartão do SUS, em que para pessoas trans pode constar apenas o nome social (há uma normativa do Ministério da Saúde). Nos serviços públicos em geral há também essa garantia nas três esferas. A lei fala de expor a pessoa a vexame e usar nome civil é expor a vexame.”

Acolhimento

A fala sobre melhores formas de acolhimento ficou por conta da Ariadne Ribeiro, que é mestre e doutoranda em Psiquiatria e Psicologia Médica pela Unifesp, mas se define, antes de tudo, como travesti. Ela destacou o manual da World Professional Association for Transgender Health – WPath (olha aqui) com um bom guia de práticas de saúde da população transgênero.

Fazendo um relato de suas vivências pessoas, ela alertou para gestos simples, mas que podem muito ser desrespeitosos.

“Quando as pessoas me conhecem elas me perguntam se eu sou operada. São pequenas violências que afastam a gente dos espaços que deveríamos ocupar. Eu sou a única pessoa trans da psiquiatria da Unifesp.”

Abordando o atendimento na saúde ela exemplificou situações de constrangimento.

“Nos sentimos desconfortáveis em serviços primordialmente heterossexuais, porque, por exemplo, se você é lésbica e vai em um ginecologista que te pergunta: ‘você é solteira ou casada?’, a pessoa responde ‘casada’. Aí ele vai lá e enfia o espéculo. E se ela era virgem? Essa é uma das violências possíveis. A gente determina a saúde de uma maneira que não exista a população LGBT. Algumas pessoas temem que se a sua identidade de gênero for percebida isso acabará tendo mais ênfase do que os problemas de saúde e é o que acontece. “

O dia a dia

O Alexandre Frederico, que é LGBT e já viveu em situação de rua, relatou um pouco do cotidiano nos serviços de assistência social do município.

“Há bem pouco tempo trans não podiam entrar em Centros de Acolhida, onde você come, toma banho e passa o dia, depois vai embora, porque não tinha banheiro adequado.”

Ele ressaltou também os problemas que surgem por conta do preconceito religioso.

“Se a organização que cuida do local tiver um viés religioso complicou. Se meu nome é Alexandre e eu quiser ser chamada de Samantha, aí lascou. Então é preciso pesar se a organização está apta a prestar esse serviço.”

Ao final do evento houve a interação com o público. As informações servirão de base para próximos eventos do mandato.

Acesse aqui todos os vídeos do evento.

Baixe as apresentações:

Vejas as fotos do encontro:

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Last modified: 6 de junho de 2019

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