Mandato da Vereadora Soninha Francine

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“Se você assiste um jogo sem conhecer as regras, pode entender tudo ao contrário” – Por Soninha

19 de junho de 2019

“Se você assiste um jogo sem conhecer as regras, pode entender tudo ao contrário. Imagine alguém que não sabe que o goleiro – e só o goleiro – pode pegar a bola com a mão no futebol. Ou que tenta aplicar o conceito de falta ao rugby.
Agora em plenário estamos vivendo um momento desse tipo. A sessão extraordinária não pôde continuar por falta de quórum. Estamos em um impasse, enquanto se decide abrir outra sessão ou não.

Os sindicalistas presentes na Galeria estão xingando os vereadores que não deram presença. VERGONHA!, PIZZA!, VAGABUNDOS!

Eles (os sindicalistas) são CONTRA o Projeto de Lei do Executivo que está em pauta (que estabelece uma bonificação por resultados, a tal “meritocracia”; a concessão de reajuste para algumas carreiras; a instituição de gratificações para outras; a mudança nas regras de incorporação).

Quem pediu verificação de presença foi um vereador do PSOL, que também é contra o projeto. Em geral, por que um vereador faz esse pedido? É pra derrubar a sessão mesmo! Quando ele/ela avalia que a posição que defende será derrotada em plenário, usa dos recursos regimentais de “obstrução dos trabalhos”, e um deles é “verificar se tem quórum”.

Boa parte da obstrução tem o intuito de CANSAR as pessoas. É como jogar na retranca: objetivo é impedir o avanço do adversário e vencer pelo cansaço. Então se fazem várias solicitações, consultas, propostas – com o único intuito de alongar a sessão. De tempos em tempos, se pede a verificação de presença. Como a sessão se arrasta por horas inutilmente, os vereadores acabam saindo do plenário, seja para tomar um café, participar de uma reunião, estudar um projeto, compromisso externo etc. Quando fazem a chamada, não tem gente suficiente para continuar. Derrubar a sessão por falta de quórum é uma vitória de quem queria obstruir!

Assim, o vereador do PSOL conseguiu o que queria: atrasou muito o andamento dos trabalhos, que acabaram sendo cancelados, por hoje, por falta de quórum. As galerias, sem entender muito bem o que diacho está acontecendo, estão gritando “Falta de respeito! Falta de respeito”! Se compreendessem melhor a dinâmica, estariam comemorando vitória. 🤷‍♀️

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Sobre “meritocracia”: defendo. E quem diz que é contra, nem sempre é… O Sindicato dos Metroviários, por exemplo, sempre negocia (exige) a aplicação da “Participação nos Lucros e Resultados” – e olha que o metrô não dá lucro… Então estabelecem metas de resultado, tipo: queda no número de ocorrências na operação, queda no número de reclamações dos usuários, menor tempo de atendimento em caso de problemas, redução do gasto de água etc. O desafio é criar metas estimulantes, nem fáceis nem difíceis demais; ter indicadores disponíveis e claros; ter um bom diagnóstico etc.

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Sobre “incorporar”: no serviço público municipal, alguns cargos dão direito a um pagamento adicional que, se recebido por cinco anos, seguidos ou não, passa a fazer parte permanentemente dos vencimentos do servidor, mesmo que ele nunca mais ocupe aquele cargo. Eu entendo a intenção, mas acabou completamente deturpada. Tem servidor que se mata para ocupar um cargo de chefia que ele não tem A MENOR vontade de ocupar, nem que seja para cobrir férias, porque assim vai somando tempo para “incorporar”. É uma loucura. Uma vez troquei a Coordenadora de Finanças da SubLapa porque nomeei uma pessoa do meu conhecimento e confiança, e ela ficou arrasada e decepcionada comigo: só faltavam três meses para incorporar aquele D.A.! Ela achava que eu devia, MESMO, demorar mais 3 meses para montar minha equipe, para que ela voltasse á função anterior sem perder o adicional a que fazia jus enquanto responsável pela Coordenação. Eu ENTENDO a decepção dela, mas vocês percebem a inversão dos motivos?

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Uma das carreiras agraciadas com a possibilidade de gratificações substanciosas é a dos auditores. Que lamentam os anos em que não tem aumento; seus vencimentos estão “estagnados” pelo teto do funcionalismo; muitos bons servidores acabam saindo porque o setor privado paga muito melhor.

Olha: se o salário fosse ruim, eu concordaria totalmente. Mas não é!!! Auditor é um dos profissionais mais bem remunerados no serviço público. Ah, “é função de alta relevância e responsabilidade, que ajuda até a trazer mais recursos para os cofres públicos”… Ok. Te falo uma dezena de outras funções de alta responsabilidade, estresse, risco, que exigem bastante qualificação, capacidade de decisões estratégicas, visão de longo prazo, liderança de equipe etc etc que ganham UMA MERDA no serviço público e precisariam SIM ganhar mais. Mas se você já ganha 20 (ou 27) mil reais no serviço público e acha injusto… o certo é ir mesmo para o setor privado. Serviço público tem de ter um tanto de abnegação, gente.”

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Last modified: 19 de junho de 2019

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