Mandato da Vereadora Soninha Francine

Mandato e Mostra Ecofalante de Cinema debateram ‘uberização’ do trabalho

26 de agosto de 2019

A crise econômica desde 2014 e o número de desempregados no país, que já ultrapassa a marca de 13 milhões de pessoas, vêm colocando cada vez mais trabalhadores no mercado informal. Entrega rápida de comida, corrida por aplicativo e outras modalidades estão ganhando força e tomando as ruas das grandes cidades.

Os populares “bicos” ganharam respaldo da legislação a partir da reforma trabalhista, aprovada em 2017. Na nova lei há a possibilidade de contrato em regime intermitente, ou seja, as empresas podem admitir funcionários por horas, dias ou meses específicos.

Mas isso é vantagem ou desvantagem para o trabalhador? Quais são os riscos? Precarização do trabalho? Rotinas desumanas?

Para refletirmos sobre esse cenário o mandato da vereadora Soninha Francine em parceria com a Mostra Ecofalante de Cinema exibiu o documentário “GIG – A Uberização do Trabalho”, seguido de debate com os diretores e especialistas no assunto. O evento foi uma das atrações da Virada Sustentável 2019.

O Plenário da Câmara Municipal foi ocupado pela plateia que pôde fazer considerações e perguntas com a mediação da vereadora Soninha, que considerou:

“São bilhões de investimento em uma atividade que é super bem sucedida e ao mesmo tempo deficitária. É algo que vai muito além da relação de consumo e trabalho entre as partes envolvidas”

Assista a matéria da TV Câmara:

A uberização

A tendência já levou 5,5 milhões de pessoas a prestarem serviços para plataformas como Uber (Ifood, Rappi e outros aplicativos) em todo o país. Esse número é muito maior do que as populações de Noruega, Irlanda, Uruguai e de outros 120 países!

Carlos Juliano Barros, jornalista, mestre em Geografia pela USP e diretor do documentário lançou a seguinte reflexão para os presentes: “Pesquisem sobre o balanço contábil, as margens de lucros e prejuízos dessas empresas. Normalmente são números bem nebulosos, difíceis de encontrar. É difícil saber a real dimensão financeira dessas empresas” .

A tendência ao longo dos anos, segundo os especialistas, será a migração de milhares de pessoas para esses serviços informais. Frederico Celentano, advogado formado pela USP, com graduação e pós-graduação em Ciências Políticas por Sciences Po – Paris e presidente da ADE SAMPA – Agência São Paulo de Desenvolvimento destacou sua preocupação com a tendência do aumento da informalidade no trabalho e falta de garantias para o trabalhador.

“Tem de ter regulação, eu só não sei ainda qual tipo de regulação. A gente tem hoje, por baixo, 1,2 milhões de motoristas de aplicativo no Brasil. O que a gente faz com esse excedente de mão de obra? Temos de reinventar o modelo de relação trabalhista. Acho que o modelo formal de trabalho, com carteira assinada, está em extinção e corre grande perigo

Celentano também disse que esse tipo de trabalho pode privar o trabalhador de arrumar outras posições melhores no mercado, porque “quando o trabalhador entra pra esse tipo de trabalho, ele fecha o olho e vai ganhar seu dinheiro. Acaba não tentando outras oportunidades”.

Gitane Leão, diretora-executiva da Fundação Profissão Motofrete cuja missão é a inserção e o desenvolvimento social dos motofretistas (entregadores de pequenas cargas),  afirma que é possível aliar inovação e desenvolvimento social.

“Um pouco da minha frustração no Poder Público foi não poder fazer aquilo que eu acreditava, mas encontrei a oportunidade no terceiro setor. Minha visão é montar um modelo que pode ser aproveitado por outros setores, não apenas o de entregadores. Meu sonho é usar a tecnologia em um modelo econômico diferente, que todos possam ganhar mais.”

Participação do público

“Em 2013, cobrava-se R$ 100 e o aplicativo tirava os 30% dele e eu ficava com 70%. Eu gastava só 20% pra fazer o serviço. Hoje eu cobro R$ 100, o aplicativo continua com 30%, mas eu gasto 35% pra fazer a mesma tarefa. O app continua crescendo, o cliente continua satisfeito e nós pagamos com a nossa saúde”
Edgard, conhecido como Gringo, presidente da Associação dos Motofretistas de Aplicativos e Autônomos do Brasil (AMABR)

Sou ex-moradora de rua. Eu acho que todo aplicativo tem que ter uma conversa com seu empregado. O aplicativo (de coleta de reciclável) me ajudou muito.”
Loira, carroceira, trabalha pelo aplicativo Cataki

“Em todos os centros de acolhida que passei o que mais ouvia era ‘Se eu tivesse uma moto’, ‘Se eu tivesse uma bicicleta’. É questão de sentar com todas as secretarias e pensar que existe uma porta de saída”.
Alexandre Frederico, ex-morador em situação de rua

Hoje os taxistas são vítimas da uberização no Brasil. Enquanto houver essa promiscuidade, nós não vamos terminar com isso”
Valdo, taxista há 25 anos

CompartilharShare on Facebook
Facebook
Tweet about this on Twitter
Twitter

Last modified: 27 de agosto de 2019

Comments are closed.

X