Mandato da Vereadora Soninha Francine

Três pessoas e muitas vidas: eles merecem todas as homenagens

12 de setembro de 2019

Medalha Anchieta e Título de Cidadão Paulistano, as honrarias para eles.

No próximo dia 30 de setembro, a partir das 19h, a Soninha prestará homenagem – em nome da cidade – a três grandes personalidades. Todos estão convidados! A cerimônia, que acontecerá no Salão Nobre da Câmara Municipal, é aberta ao público e também será transmitida pela internet.

Darko Hunter, Francisco Sogari e Facundo Guerra possuem linhas de atuações bem diferentes, mas os três deram  contribuições para a cidade de São Paulo que você nem pode imaginar…

Veja um pouco da vida de cada um abaixo:

Medalha Anchieta e Diploma de Gratidão para o Darko Hunter, caçador de desaparecidos

A medalha e o diploma são conferidos a personalidades, nascidas em São Paulo, por serviços prestados à cidade.

Darko Hunter iniciou o trabalho com desaparecidos e localização familiar no ano de 2007 na região central da cidade de São Paulo como orientador social fazendo abordagem para atender a população em situação de rua, promovendo encaminhamentos para hospitais, centros de acolhida, retirada da 2ª via de documentações e demais prestações para população.

Dentre centenas de histórias, em uma das primeiras abordagens se aproximou de uma mulher com provável transtorno psiquiátrico que dizia estar sendo perseguida pela máfia e possuía um chip de localização implantado em seu corpo e por este motivo não poderia sair da rua. Darko utilizou uma lanterna para fazer a intervenção no caso, informando que esta bloqueava o sinal da máfia e assim a mulher aceitou ir até o hospital onde foi medicada e alguns dias depois informou o nome de sua irmã. Munido desta informação Darko foi em busca da irmã e conseguiu enfim promover o reencontro.

Darko percebeu que havia mais uma utilidade, além de encaminhar as pessoas para hospitais ou centros de acolhidas, poderia fazer a localização familiar, iniciando sua grande trajetória, aperfeiçoando suas técnicas de investigação e busca, abordando toda população, em especial idosos e pessoas com a saúde mental comprometida que a partir de então estavam retornando para casa.

Em 2008 Darko recebeu uma ligação da delegacia de pessoas desaparecidas, na pessoa do Dr. Francisco Magano, que agradeceu as ações e além de apresentar o sistema da delegacia, formalizou uma parceria com a Delegacia de Pessoas Desaparecidas do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), na ocasião coordenada pelo delegado Francisco Magano. O trabalho em conjunto possibilitou confrontar dados de desaparecidos com pessoas em situação de rua proporcionando uma gama de experiências e ferramentas que levou a configuração do DELF’D – Departamento Especializado em Localização Familiar e Desaparecidos – transformando-o em um serviço de utilidade pública de referência municipal. Sua formalização se consolidou em outubro de 2013 com a efetiva parceria com o Centro Pop Barra Funda.

No mesmo ano (2013) Darko em reunião com a Coordenadoria do Observatório de Política Social – COPS apresentou sua ideia para inserir alertas de desaparecimento em Centros de Acolhimento, efetuando o cadastramento caso a pessoa seja acolhida em algum equipamento da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social – SMADS, o sistema identificará que se trata de um desaparecido, iniciando assim os procedimentos para efetuar o retorno familiar.

Em 2015 foi convidado para coordenar as ações de desaparecimento na SMADS, trabalha na perspectiva de promover a retomada do contato familiar seja em razão de solicitação feita por vias formais de pessoas desaparecidas (Boletim de Ocorrência) ou por meio de queixas informais (ou seja, familiares que buscam localização de pessoas com as quais perderam contato sem efetuar Boletim de Ocorrência). Também trabalha com a localização de pessoas em caso de óbito e de verificação de situação criminal e em todas as ações, embora municipais, possuem abrangência nacional, recebendo solicitações de outros
Municípios e Estados.

Dentre as funções desenvolvidas para a população, estão:

• • Cadastramento de desaparecidos no sistema DELF’Desaparecidos;
• Confrontamento de dados de pessoas desaparecidas com pessoas em situação de rua;
• Criação de ferramentas tecnológicas que facilitem a busca de familiares e pessoas desaparecidas;
• Prestação de assistência à família de pessoa desaparecida, orientando e agindo como indicador para serviços com experiência no setor de pessoas desaparecidas.
• Efetua diligências para obtenção de dados das investigações.
• Recebimento de demanda de Centros de Acolhidas; Hospitais; CAPS; SEAS; CRAS; CREAS; IML’S; Ministério Público; Defensoria Pública; DHPP e Delegacias; Sociedade Civil; Familiares.

Em 2017 foi convidado para integrar a Secretaria Municipal de direitos Humanos e Cidadania e durante 11 anos de trabalho finalizou mais de 3.600 (três mil e seiscentos casos) tanto de desaparecidos, perda de contato e localização em casos de óbito.

Título de Cidadão Paulistano para Francisco Sogari, que transformou a dor em amor

Ao contrário da Medalha Anchieta, que homenageia pessoas naturais de São Paulo, o Título de Cidadão Paulistano é entregue a pessoas nascidas em outras cidades, mas pelos mesmos motivos: suas contribuições à sociedade.

Sobre o Francisco…

Nascido em Flores da Cunha, no Rio Grande do Sul, Jornalista e Mestre em Comunicação, Professor Universitário, foi Diretor da Faculdade Mundial em São Paulo, Assessor de Imprensa da Presidência da Câmara Municipal de São Paulo, Assessor de Imprensa da Cúria Diocesana de Santo Amaro, Editor da Revista e do Portal Catolicanet, e é fundador e Diretor de Comunicação do Instituto Gabriele Barreto do Carmo desde Fevereiro de 2001.

Junto com a esposa Iracema Barreto Sogari, em 2001, fundou o Instituto Gabi, que é conveniado com a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS) e atende mais de 60 crianças e adolescentes com deficiência, especialmente os de baixa renda da zona sul de São Paulo.

Ao longo desses 18 anos tornou-se referência na construção de Políticas Públicas de qualidade voltadas à pessoa com deficiência. Suas ações servem de fonte de pesquisa para escolas superiores, trabalhos escolares e programas de voluntariado. Recentemente, recebeu o Prêmio Relevância Social da Câmara dos Deputados.

Um dos destaques é o Programa de Geração de Renda das Mães Artesãs do Instituto Gabi, que participou do Prêmio Milton Santos em 2018.

Francisco Sogari hoje contribui muito como ativista e como cidadão para ampliar a inclusão, promover as competências e habilidades das pessoas com deficiência, visando sua inclusão social. Uma grande iniciativa que surgiu de uma tragédia é motivo mais do que justo para que Francisco Sogari possa ser chamado de cidadão paulistano.

Título de Cidadão para Facundo Guerra, o argentino paulistano

Seu avô, médico, comunista, foi torturado pelo Regime Militar. Por isso seu pai foi estudar na Argentina, onde conheceu sua mãe. Ele nasceu 1974, na cidade de Córdoba. Em 1976, com a abertura política, a família veio para o Brasil, morar na Capital paulista.

Logo se apaixonou pela “Cidade que não dorme”, principalmente pelo Centro e sua arquitetura. Tornou-se um verdadeiro “descobridor de lugares” na região, especialmente os que estavam desativados, abandonados e esquecidos. Foi assim que nasceu o Mirante 9 de julho, bem atrás do Museu de Arte de São Paulo, uma parceira com a Prefeitura de São Paulo que transformou o lugar em um ambiente de convívio e cultura.

Em 2005, Facundo Guerra deixou de ser executivo em uma multinacional e investiu sua rescisão na criação do famoso clube Vegas em trecho até então “decadente” da Rua Augusta. O “Vegas” contribuiu para a ressignificação do lugar, que passou a ser conhecido como “Baixo Augusta”. Favoreceu a proliferação de novos clubes, bares, restaurantes, estúdios e lojas, ampliando assim a circulação de pessoas de muitos perfis diferentes. A diversidade está em todos os seus negócios.

Ele fundou outros empreendimentos que se consolidaram, como o Cine Joia e o Riviera. Nos últimos meses, deu vida ao Bar dos Arcos, no subsolo do Theatro Municipal, e está à frente da filial paulistana do famoso templo internacional do jazz: o Blue Note.

Ao empreender em atividades culturais, Facundo Guerra contribui também com o turismo e o desenvolvimento econômico e social. Proporciona a geração de muitos postos e oportunidades de trabalho para recepcionistas, garçons, barmen, cozinheiros, caixas, agentes de limpeza, seguranças, assessores de imprensa, divulgadores, técnicos de som, artistas, DJs, produtores, etc., e de outros serviços dos entornos. Nesses espaços a estimativa de público é de 700 mil pessoas por ano, um movimento econômico e cultural imenso para a cidade. Todo o trabalho contribuiu para que ele fosse eleito, em 2016, um dos 100 empreendedores mais influentes do mundo pela revista norte-americana Good Magazine.

A experiência do Facundo Guerra como empreendedor cultural e consultor de negócios de cultura o levou a escrever o livro “Empreendedorismo para subversivos – um guia para abrir seu negócio no pós-capitalismo”, um sucesso de vendas.

Como se São Paulo fosse a sua terra natal, declarou seu amor na autoria de outro livro, “São Paulo — Eixo Z “, cuja arrecadação foi doada para a Casa 1, no bairro da Bela Vista, que acolhe jovens LGBTs que foram expulsos de casa por suas famílias.

Esses são os motivos que nos levaram a conceder ao Facundo Guerra Rivero o título de Cidadão Paulistano. Nossa gratidão!

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Last modified: 13 de setembro de 2019

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