Mandato da Vereadora Soninha Francine

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Blog da Soninha: “O problema não é discutir, é o tom da discussão”

5 de novembro de 2019

A Soninha esteve na Audiência Pública que discutiu se os Centros para Crianças e Adolescentes (CCAs) devem ou não passar da Secretaria de Assistência Social para a Educação. Ela aproveitou para escrever uma série de posts sobre a desinformação que ainda circula nessas audiências e como isso atrapalha o debate. Leia:

1º post

Está acontecendo mais uma discussão estranha na Câmara Municipal, em que se discute se os CCAs – Centros de Convivência de Crianças e Adolescentes, um serviço da Proteção Básica da Assistência Social – devem ou não passar para a Educação. A Secretária da Assistência Social já disse que NÃO VÃO, mas a discussão continua. 🤷‍♀️

O problema não é discutir – eu acho é bom discutir TUDO. O problema é o TOM da discussão. Basicamente, estão dizendo que seria um absurdo, uma perda, um “desmonte” se as crianças, em vez de frequentar um CCA, passassem a contar com educação em período integral (que é diferentes de escola em período integral).

Dois argumentos básicos:

1 – “SÃO CRIANÇAS EM SITUAÇÃO VULNERÁVEL que frequentam os CCAs!!”, dizem. (Querem dizer, portanto, que crianças em situação vulnerável NÃO SÃO público para a educação em período integral, só as que estão bem???)

2 – “As crianças preferem o CCA do que a escola”!!! Então pera, a gente desiste da educação em período integral porque as escolas não são boas como deveriam?? Então POR QUE o Plano Nacional de Educação, aprovado em 2014, prevê a ampliação da educação em período integral para o maior número possível de crianças e adolescentes???????????

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De todo modo, por constatar que boa parte das crianças que frequenta o CCA sequer preencheriam os critérios objetivos de vulnerabilidade, mas frequentam o serviço porque, tendo mães ou responsáveis que trabalham fora e não havendo educação em período integral, utilizam o CCA no modelo “contra-turno escolar”. Diante disso, a Secretaria de Assistência Social solicitou à Educação que repasse recursos equivalentes ao número de crianças atendidas com esse perfil. No orçamento de 2020, está previsto o repasse de R$100 milhões da Educação para a Assistência. Pois tem gente contra isso TAMBÉM.

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Falas de crianças e adolescentes na tribuna:

“No CCA aprendemos sobre racismo, preconceito. Lá não tem quadra, praça. Se fechar o CCA, nós vamos ficar muito tristes. Nós vamos ficar na rua. O CCA é muito bom, porque a gente não fica na rua. Nós temos passeio lá. Na escola não é assim”.

“Na escola que eu tive, os professores batiam na gente. Os professores chamavam a gente de filho-da-puta na escola. A gente não aprendeu nada. Se não tivesse CCA, a gente ficava na rua, ia vender droga. Eu sou filho de negra, nas escola aprendi racismo”.

Ou seja, estão dizendo que a escola é uma merda, o que certamente implica os professores (mesmo quando não é tão explícito quanto na segunda fala). Vereadores que representam a categoria – tem um na Mesa – teriam um ataque se eu dissesse que tem escola que é ruim, tem professor sem condição que maltrata os alunos.

Sem falar na criminalização da pobreza… Pautar as próprias crianças pra virem aqui dizer “se eu não estiver no CCA, vou vender droga” é MUITO cruel.

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Aliás, vereadores ligados à Educação que abominam a “terceirização”, as parcerias, as “entidades conveniadas”, estão aqui posicionados em defesa de serviços conveniados… Contrários à possível inclusão das crianças na Educação…

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E pensar que esta seria uma Audiência Pública “devolutiva” de uma questão que já foi extensamente debatida: a diminuição de repasses a determinados CCAs que, supostamente, teriam vagas ociosas. Isso foi transformado em “O GOVERNO VAI FECHAR OS CCAs! OS CCAs VÃO ACABAR!!” Já foi desmentido mil vezes, mas as crianças vieram aqui com papeizinhos na mão ler apelos por “não fechem o meu CCA”!

Que dureza.

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Agora uma vereadora diz que “não está nada claro, vocês não estão esclarecendo” – enquanto faz o que pode para confundir tudo. Por exemplo, acha muito estranho, nebuloso, o Secretário Adjunto de Assistência Social e a Secretaria de Educação estarem fazendo um “planejamento conjunto”.

QUE DUREZA.

2º post

“Por que é que o prefeito põe mais de R$700 milhões em obras nas Subprefeituras e zeladoria, e corta recursos da área social?”, diz um ativista à mesa da Audiência Pública.

Agora o pessoal “do social” tem descido o pau no aumento de verba para a zeladoria – como se cortar mato, podar árvores, tapar buraco, fazer recape, manutenção de praças e parquinhos fossem luxos dispensáveis. (Sem falar que, assim como os recursos para zeladoria, os recursos da “área social” aumentaram no orçamento de 2020…)

3º post

O representante da Secretaria de Educação acaba de dizer, pela vigésima vez, que “OS CCAs NÃO VÃO PARA A EDUCAÇÃO”. E complementa: “São equipamentos importantes. A Educação tem todo interesse em contribuir para a melhoria desse serviço”.

A vereadora presente à Mesa vem DE NOVO dizer que “essa fala é ambígua, vocês acabaram de dizer que os CCAs não vão pra educação”. Como se a Educação trabalhar junto com a Assistência Social fosse motivo para levantar suspeitas.

4º post

O representante da Secretaria da Educação também disse que vivemos tempos difíceis, com muitas fake news. Reiterou: “Os CCAs não vão para a Assistência”. Também desmentiu algumas outras coisas que estão sendo ditas, por exemplo que vai haver restrição de acesso aos CEUs quando as crianças dos CCAs estiverem usando suas instalações (um completo absurdo). Pois um rapaz da plateia pediu “Questão de Ordem” pra repudiar “a fala do representante da Educação” que “chamou de fake news o genocídio do povo negro” (!!!!!!!!!!!!!!!!!!!)

É MUITA DESONESTIDADE MEU DEUS DO CÉU.

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Last modified: 6 de novembro de 2019

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