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“Momentos tenebrosos: ação policial catastrófica em Paraisópolis e prisão dos brigadistas em Alter do Chão” – Por Soninha

2 de dezembro de 2019

Momentos tenebrosos de nossa história: a ação catastrófica da polícia em Paraisópolis e a prisão dos brigadistas em Alter do Chão.

Os policiais que cercaram o baile funk podiam estar perseguindo o Beira Mar, lideranças do Estado Islâmico, um assassino serial, um “cop killer” – NÃO PODIAM chegar arregaçando em um lugar com milhares de pessoas.

Podia ser saída de estádio de futebol, a festa do Peão de Boiadeiro em Barretos, show da Anitta no Anhangabaú – jogar “bomba de efeito moral”   assusta e atemoriza), empurrar as pessoas, apavorar, encurralar, só poderia acabar em tragédia. Por isso polícia, tudo leva a crer, não faria isso nesses lugares. Mas no miolo da favela, opa, aí pode. “Quem mandou [estar ali]”, diriam (dizem) alguns.

Já fui muito xingada na ESPN por criticar violência policial em estádios e seu entorno. “Amiguinha” de bandidos, inimiga da polícia. Sou a favor de polícia; de forças de segurança subordinadas ao Estado (do contrário temos milícias, segurança privada apenas, faroeste, salve-se quem puder). E compreendo que policiais são seres humanos falíveis, submetidos a um nível de estresse medonho, pressionados por todo o lado, suscetíveis a suas próprias emoções avassaladoras. Mas PORRA, a defesa da vida, o respeito à vida, à integridade física das pessoas, a garantia das regras estabelecidas (a lei e a ordem, pois não?) é a essência e não a exceção em seu trabalho. Chutar alguém caído, disparar contra multidões, dar tapa na cara, apavorar uma multidão é ERRADO.

***
É insuportável ser acusado por algo que você não disse, não pensa, não fez. Não consigo imaginar a revolta, o horror, o desgosto dos brigadistas que sacrificam a própria vida para apagar fogo na floresta e são presos sob a acusação de tacar fogo na floresta. É hediondo. É medonho.

E quem acusa não é um observador desavisado, que caiu de para-quedas. Alguém que ama a floresta e se preocupa tanto com ela que acabou cometendo grave engano, profundamente injusto.

Quem vai à TV dizer que eles tacaram fogo é justamente quem acha a preservação dos ecossistemas da Amazônia uma bobagem, frescura, anacronismo, desculpa esfarrapada para ocultar interesses escusos, coisa de inimigo do país.

O Fantástico ontem mostrou cercas, portões e cadeados fresquinhos cercando áreas desmatadas a fogo. O prefeito de Santarém, perigoso esquerdista do Democratas, culpa a grilagem e a especulação imobiliária pelas queimadas criminosas. Bolsonaro consegue culpar os brigadistas.

O Holocausto da Segunda Guerra Mundial já foi utilizado inapropriadamente uma dezena de vezes, eu evito citá-lo porque algo tão extremo e gigantesco não pode perder sua dimensão medonha – mas prender aqueles quatro rapazes é como culpar os judeus pelos campos de concentração. Ou os indígenas por seu extermínio, os negros pela escravidão, as mulheres pelo estupro.

***
Tem horas que só duas coisas me consolam: 1) a existência de milhões de pessoa que também repudiam violência, truculência, covardia, abuso de força; o desmatamento e outras ações ambientais criminosas, 2) o fato de que isso (esta fase sinistra), como tudo mais, vai passar.

Fonte da imagem: A Pública.

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Last modified: 2 de dezembro de 2019

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