Mandato da Vereadora Soninha Francine

O Globo: Com crescimento dos negócios, chineses mudam imagem para aumentar influência no Brasil

20 de janeiro de 2020

O Jornal O Globo publicou uma matéria sobre o crescimento da influência chinesa em São Paulo e no país. A Soninha, vale lembrar, é proponente da Frente Parlamentar Brasil, China, Coreia e Japão e fez observações sobre o momento atual da colônia no contexto social da cidade. Clique aqui para lembrar como foi o lançamento.

Leia a matéria:

China tornou-se o maior parceiro comercial e investidor do Brasil, com US$ 60 bilhões aportados em uma década. A criação do Brics — grupo de nações emergentes que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — abriu um canal privilegiado entre Brasília e Pequim, que resultou em ações conjuntas em diversas áreas.

Agora, de olho em mais oportunidades de negócios, os chineses que vivem em solo brasileiro investem para ganhar uma nova imagem e maior influência no país. Esse movimento é capitaneado por uma parcela importante dos mais de 300 mil chineses que vivem em São Paulo e buscam ter mais relevância econômica, peso político e influência social.

— A comunidade tem cada vez mais interesse em fazer uma abertura, de mostrar o que é a cultura chinesa, mostrar uma nova China e deixar um legado para um país que acolheu tão bem esta comunidade, que já chega a 350 mil pessoas, 80% dos chineses no país — diz Thomas Law, presidente do Instituto Sociocultural Brasil-China (Ibrachina), uma das lideranças desse movimento, que encabeça um ambicioso projeto para a construção de uma Chinatown na capital paulista, com investimentos de R$ 150 milhões.

As comemorações do aniversário de São Paulo acontecerão neste ano em conjunto com a celebração do início do ano novo chinês, o ano do rato, no próximo dia 25. A China será o tema de uma das escolas de samba da capital paulista no Carnaval. Em outubro, será a vez de os paulistanos comemorarem o Festival da Lua, o segundo maior feriado do gigante asiático, realizado pela primeira vez no país.

Mais do que coincidências, tais iniciativas marcam essa nova postura da comunidade chinesa na maior cidade do país. Até pouco tempo, a colônia era muito fechada e fragmentada. Existem 50 associações chinesas em São Paulo, muitas fundadas na década de 1950, mas elas são desconhecidas pela imensa maioria dos paulistanos. Hoje, os chineses já são a quarta comunidade estrangeira na cidade.

CONHEÇA A HISTÓRIA DE PROFISSIONAIS CHINESES QUE VIVEM NO BRASIL

Integração

Integrante da missão católica chinesa no país, o padre Lucas Xiao, de 48 anos, 24 deles vividos na capital paulista, explica que as atividades promovidas agora por representantes da comunidade têm por objetivo servir chineses e brasileiros:

— Vemos muitos empresários chineses doando R$ 500 mil, R$ 750 mil, para projetos de educação.

O centenário colégio São Bento, ao lado do histórico mosteiro que hospedou o Papa Bento XVI em sua última visita ao Brasil, é um exemplo dessa interação. Atualmente, 30% dos alunos são de origem chinesa. Há cursos de português para crianças estrangeiras e de mandarim para brasileiros, além de dez professores chineses.

Ali, as salas makers, de experimentos, a reforma da piscina, a sala de computação e a estrutura da educação infantil foram doados pela comunidade chinesa.

— Há pais brasileiros que colocam seus filhos na escola apenas para ter acesso ao mandarim e aos colegas chineses — disse Daniel Paulo de Souza, diretor do colégio.

A economia em torno da nova leva de chineses imigrantes também está mais diversificada do que as antigas lojas de bugigangas e pastelarias. É possível escolher restaurante chinês por região do país asiático. E essa nova onda quer chegar na arena política:

— Queremos líderes chineses na política, que sejam candidatos a vereador já neste ano — diz William Woo, ex-deputado filho de chineses, neto de japoneses e casado com uma coreana, que preside a Associação Amizade Brasil-China.

Estereótipo persiste

Um dos objetivos do grupo é acabar com os estigmas que ainda rondam os chineses. Para muitos brasileiros, eles ainda estão associados aos comerciantes de itens populares, muitos contrabandeados.

Thomas Law, por exemplo, apesar de ser um advogado reconhecido e ter integrado a comitiva parlamentar que acompanhou o presidente Jair Bolsonaro à China em 2019, é identificado por muitos como filho de Law Kin Chong, o famoso comerciante chinês que já foi preso por suborno e acusado de contrabando.

— Vemos que a comunidade ainda sofre muito preconceito. Mas, assim como a China, está mais aberta. Os chineses estão lutando por seu espaço em São Paulo — diz a vereadora Soninha Francine (Cidadania), criadora da Frente Parlamentar Brasil, China, Coreia e Japão na Câmara paulistana.

Wong ChiuPing, cardiologista de 83 anos, reconhece o movimento. No Brasil desde 1951 — quando, aos 15, chegou com a família após 83 dias num navio, fugindo da revolução comunista —, virou um dos mais proeminentes membros da comunidade, após dirigir a cardiologia do Hospital da USP e atuar, até hoje, no hospital Sírio-Libanês.

— A comunidade está muito mais aberta e participativa. Isso é bom para nós e para os brasileiros — diz.

Chineses querem criar uma Chinatown em São Paulo para revitalizar área no centro da cidade

SÃO PAULO — Símbolo máximo de uma comunidade internacional, um bairro exclusivo é o sonho dos chineses que vivem em São Paulo. Eles já trabalham para que a cidade tenha, em breve, sua Chinatown, fazendo com que a maior capital brasileira entre no rol de metrópoles que já têm uma, como Nova York, São Francisco, Los Angeles, Buenos Aires, Paris e até Havana. O projeto já está sob avaliação do governo paulistano e da Câmara de Vereadores e conta com o apoio de empresas e da comunidade chinesa na cidade.

O projeto urbanístico de R$ 150 milhões, sem contar outros equipamentos como museus e centros tecnológicos, pode mudar uma das áreas mais degradadas de São Paulo, vizinho à cracolândia, ao Mercado Municipal e à Rua 25 de Março. Nessa região central da cidade já vivem cerca de 100 mil chineses.

— O projeto será financiado por associações de chineses (são 50 na cidade, uma de cada cidade ou província), empresas e pela comunidade. Nosso objetivo é ao menos iniciar a pedra fundamental em 2024, quando celebramos os 50 anos da retomada das relações diplomáticas entre Brasil e China — afirma Thomas Law, presidente do Instituto Cultural Brasil-China (Ibrachina), que lidera o projeto. — Se puder ser antes de 2024, ainda melhor.

Prefeitura pede detalhes

Mais que um simples pórtico chinês ou uma estrutura como a da Vista Chinesa, no Rio (doada para comemorar o início da produção de chá no Brasil, nos idos dos anos 1810), o projeto prevê um parque sobre o Rio Tamanduateí, centros de lazer e de cultura, cinema ao ar livre, ponte chinesa, terraço inspirado em campos de arroz, praça de alimentação e de eventos.

— Como será um legado para a cidade de São Paulo, o interesse em se associar ao projeto é muito grande. O governo chinês já indicou, por exemplo, que pode doar os pórticos — disse Law, que acredita que o bairro tem tudo para aquecer a economia e se tornar um polo turístico como é a Liberdade, o bairro paulistano que a comunidade japonesa já tem para chamar de sua e que também vem sendo ocupado por chineses.

Porém, a vereadora Soninha Francine (Cidadania) afirma que o projeto da Chinatown precisa provar que não vai beneficiar somente um grupo específico com incentivos fiscais que geralmente envolvem esse tipo de iniciativa:

— Adoraria aprovar tudo este ano, mas há outros projetos na fila. Temos que esperar a aprovação de outros projetos urbanísticos prioritários na cidade, como os Planos de Intervenção Urbana da Vila Leopoldina, Pari e realocação do Ceagesp, gigantesco entreposto alimentar da cidade.

A Prefeitura de São Paulo informou que, por meio da SP Urbanismo, comunicou à Ibrachina que o projeto carece de mais detalhes e precisa estar alinhado a outras iniciativas de revitalização do centro da cidade. “A SP Urbanismo avaliou os estudos propostos à luz do Projeto de Intervenção Urbana do Centro (PIU Centro) e orientou o interessado sobre a priorização das intervenções no entorno em função da necessidade da cidade”, informou a prefeitura, em nota. O instituto disse que já está trabalhando no detalhamento e coordenação.

‘Invasão nos bairros’

Enquanto a Chinatown não sai do papel, a comunidade chinesa começa a ocupar regiões tradicionais de outros asiáticos em São Paulo. Na Liberdade, há cada vez mais restaurantes e lojas chineses. Muitos mantêm a “cara” japonesa para não perder clientes.

Henrique Wu, de 34 anos, há quatro no Brasil, montou um enorme restaurante chinês no enclave coreano do Bom Retiro, considerado pela revista Time Out um dos bairros mais descolados do país, onde também está concentrada parte das colônias judaicas e de bolivianos da cidade.

— Nossa comida é de Sichuan, onde é mais apimentada. E os coreanos adoram comida apimentada — diz Wu, que tem como principal elemento da decoração do empreendimento um mapa-múndi com destaque para os territórios da China e do Brasil, além de elementos chineses, palco de karaokê, flores de plástico nas paredes e pequenas cabines iluminadas.

Fonte: site do Jornal O Globo

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Last modified: 20 de janeiro de 2020

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