Mandato da Vereadora Soninha Francine

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“Na Câmara, reunir, ouvir, refletir é uma das melhores coisas que podemos fazer”

27 de janeiro de 2020

Por Soninha Francine

Pesquisa mais recente do Nossa São Paulo com o Ibope reitera: Câmara Municipal é a instituição menos confiável para os paulistanos. Fué.

Eu entendo, claro que sim! Massss uma parte dessa rejeição é fruto da ignorância sobre o que faz o Legislativo. E o que não faz, não por ser incompetente, desonesto, preguiçoso, mas porque não é função nossa! Nessa hora a gente pode até dizer que “não é da competência da Câmara” e muita gente vai entender “claro, são incompetentes”. Ai ai ai.

Fazer campanha é lidar muito com isso. “O que você vai fazer pra gente? Vai conseguir moradia? Vai arrumar o asfalto? As calçadas? Vai fazer mais creche?”.

Não somos nós, vereadores, que vamos “fazer moradia” ou “arrumar as calçadas”. Nós podemos analisar e mudar as regras, se for preciso; podemos fiscalizar, pressionar, cobrar”. Responder isso é recebido com um 🙄. Tipo “nem chegou lá e já tá arrumando desculpa”.

As pessoas ignoram o papel dos Poderes porque, oras bolas, ninguém ensina. Na escola, a gente aprende mitocôndria e retículo endoplasmático, mas não o funcionamento do Judiciário ou do Parlamento. Na mídia, alguns jornalistas mais “desexplicam” do que esclarecem.

Ano passado, a Comissão da Criança e Adolescente da Câmara Municipal de São Paulo, que eu presido, fez uma reunião dedicada aos bailes funk, logo após a morte de 8 meninos e 1 menina em ação desatrada da polícia em Paraisópolis. Mas não íamos discutir, ali, a PM, e sim o baile funk em si. Que pode ser simplesmente legal, divertido, como qualquer outra balada – forró, rock, reggae, eletrônica… Mas ao mesmo tempo cria um incômodo insuportável para a vizinhança. E pode ser perigoso, porque não tem nenhum cuidado de segurança (rota de escape em emergência? ambulatório médico? instalações elétricas adequadas? controle do que é vendido? Rá), porque é propício à atuação do crime organizado, porque adolescentes bêbados ou entorpecidos por outras drogas são um perigo para si mesmos.

Então o que fazer, como fazer? Falamos seriamente disso na Comissão, com o respeito à complexidade do tema que eu defendo em todas as discussões.

Aí veio uma equipe da Globo cobrir a reunião da Comissão. O repórter entrou ao vivo. Do estúdio, o Cesar Trali passou a bola pra ele, com as seguintes palavras debochadas: “O problema é que tem muuuita reunião, muito bla-bla-bla, pra pouca solução, né?” O repórter não embarcou no tom e falou com respeito e seriedade sobre o assunto.

De novo: eu ENTENDO a má-vontade/desconfiança do Trali. Eu TAMBÉM fico de saco cheio às vezes com muita reunião, muito bla-bla-bla. Aqui na Câmara, na Universidade, em tudo quanto é lugar. Mas gente, é “meio” óbvio: tem reunião que é só bla-bla-bla e reunião que é pra valer. E reunião que, por melhor que seja, não é “a solução” pra nada – porque as pessoas reunidas não tem poder pra isso, porque NINGUÉM tem exatamente “O Poder” para solucionar. Mas debatendo, analisando, refletindo, ouvindo, propondo, podemos buscar, nas reuniões, possíveis caminhos para o que quer que seja.

Na Câmara, reunir, ouvir, refletir é uma das melhores coisas que podemos fazer. E só acompanhando honesta e atentamente o que acontece se pode concluir se é tudo bla-bla-bla ou não. A condenação a priori é f*.

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Last modified: 27 de janeiro de 2020

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