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“Eu quero é botar meu bloco na rua” – Por Soninha

21 de fevereiro de 2020

Ser Subprefeita foi uma das experiências mais intensas que já tive. Reler meu blog daquela época chega a dar aflição de lembrar da montanha de problemas – às vezes desnecessários, com causas às vezes ilógicas. (Já bastam os problemas reais, é o que eu sempre digo…).

Um dos dramas com que eu convivia é o das pessoas que QUEREM fazer tudo certo, “nos conformes”, mas não conseguem. Porque as leis são ultrapassadas, complexas, contraditórias ou bizarras; porque a burocracia interna é ridícula; porque os órgãos públicos não se conversam; porque você depende de boa vontade, inteligência e honestidade e nem sempre elas estão disponíveis.

Drama que estou revivendo hoje.

Existe um bloquinho de Carnaval (“inho” mesmo, não deve chegar a cem pessoas) que desfila todos os anos por 3 quarteirões da mundialmente famosa “Cracolândia”. Ele é composto especialmente por pessoas atendidas pelos serviços de Saúde e Assistência Social da região – aliás, em alguns casos, o único “serviço” que os atende é o bloco e as atividades relacionadas. Voluntários, profissionais da Saúde e Assistência e oficineiros contratados pelos órgãos públicos coordenam ensaios de bateria, produção de adereços, composição das marchinhas e tudo mais que um bloco envolve.

O desfile é divertido, estimulante, revigorante. Um momento de festividade em um meio tão conturbado. As ruas por onde o Blocolândia desfila não fazem falta para o trânsito – normalmente estão tomadas mesmo por usuários e vendedores de pedra… O Bloco alivia, descontrai, pacifica.

Seguindo todos os trâmites legais, os responsáveis pelo Blocolândia deram entrada nos pedidos de autorização e conseguiram. Está lá no Diário Oficial, como centenas de outros blocos, o despacho que permite sua saída.

EIS QUE de ontem para hoje, surgiu a informação de que eles estavam desautorizados. Ah, não vão sair não, questões de segurança. Parecia até boato, fake news, alguma movimentação não-oficial para causar confusão, até que saiu hoje de manhã um “Comunicado” desengonçado, sem assinatura, sem qualquer coisa que me pareça “amparo legal” para cercear o direito de desfilar entre 13h e 18h por 300m de ruas da cidade.

Estamos passados com a decisão. Conhecendo administração pública de perto há muitos anos, posso apostar que não foi algo serenamente discutido, ponderado, aprovado pelas pessoas envolvidas. Porque além de arbitrário, desajeitado, inoportuno, é pouco inteligente. Saiu a autorização no Diário Oficial sem nenhum questionamento de ordem legal. Saiu no calendário oficial da prefeitura. Foi divulgado entre as pessoas que se prepararam para o desfile. Aí no dia retiram a autorização e acham que vai ser melhor assim?

Ainda faltam algumas horas para o desfile do Blocolândia. E eu ainda tenho esperança na sensatez, Inteligência e justiça de algumas pessoas para desautorizar a desautorização.

“Há quem diga que eu dormi de touca
Que eu perdi a boca, que eu fugi da briga
Que eu caí do galho e que não vi saída
Que eu morri de medo quando o pau quebrou
Há quem diga que eu não sei de nada
Que eu não sou de nada e não peço desculpas
Que eu não tenho culpa, mas que eu dei bobeira
E que Durango Kid quase me pegou
Eu, por mim, queria isso e aquilo
Um quilo mais daquilo, um grilo menos disso
É disso que eu preciso ou não é nada disso
Eu quero é todo mundo nesse carnaval
Eu quero é botar meu bloco na rua”

Foto: Soninha e membros da equipe do mandato no desfile do Blocolândia em 2019.

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Last modified: 21 de fevereiro de 2020

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