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Este post é para alertar para uma história – por Soninha Francine

5 de março de 2020

Há alguns dias venho falando sobre o Anderson Miranda entre amigos e conhecidos. Ele é uma liderança importante do Movimento Nacional da População de Rua há muitos anos, mas eu o conheci bem antes disso. Em uma edição do Barraco MTV, lá na década de 90, ele fez parte da mesa para falar sobre sua trajetória – de trecheiro a profissional de cozinha, depois de um curso profissionalizante que deu resultado. Já neste século, fui madrinha da filha mais velha dele e acompanhei – às vezes mais próxima, às vezes nem tanto – suas caminhadas.

Não sei se já disse que amo a população de rua (será? 🤔). Sou apaixonada pelas pessoas, suas personalidades e histórias complexas, suas emoções simples e complicadas, suas estratégias de sobrevivência, sua criatividade e desenvoltura, o lado surpreendente de cada uma delas (como descobrir que meu marido – antes de sê-lo – adorava Losing My Religion, do R.E.M.)

O que não quer dizer que as idealizo; que sejam seres impecáveis, sempre generosos, sempre honestos e verdadeiros… Posso parecer maluca aos olhos de muitos, mas nunca perdi a noção básica de que são seres HUMANOS, variados e confusos como todos os outros aqui no planeta.

Toda essa enrolação para dizer que este post é para alertar para uma história que o Anderson vem contando que está gerando preocupação e revolta – e que possivelmente (ou CERTAMENTE) não é verdadeira, e explico por que acho isso, com um pouco de contexto.

Uma noite, saí com as equipes do censo da população de rua e estive com o Anderson, que acompanhava os trabalhos bem de perto. Ele vinha dizendo que a Polícia Militar estava sabotando o recenseamento, “espantando” moradores de rua antes do censo passar.

Fiz algumas observações:

1 – Qual o interesse da PM em uma contagem menor do que o real? Policias e Guardas enxotando pop rua, infelizmente, não é nada incomum e nada indica que fosse relacionado ao censo;

2 – Em todo caso, ao presenciar uma situação desse tipo, que nos informasse IMEDIATAMENTE (ele tem meu celular, do Suplicy – de quem foi assesor – e uma dezena de outras autoridades) ou, caso não fosse possível, informasse assim que possível a data, hora e local da ocorrência. Nunca aconteceu…

Pois bem, naquela noite ele disse que a contagem na cracolandia, realizada naquela semana, devia ter chegado a “dois mil”. E desconfiava, àquela altura, que a prefeitura ia querer divulgar um número menor para disfarçar o fracasso de seus programas no território.

(Essa desconfiança de que os censos revelam um número menor que o real é histórica e disseminada no mundo todo. Compreensível).

MAS no dia em que a prefeitura divulgou o resultado do censo, o Anderson fez esse questionamento enfaticamente, na forma de protesto, alegando, por exemplo, que a prefeitura ESVAZIOU A CRACOLÂNDIA para adulterar o censo. Percebem? A mesma pessoa que disse que ela estava cheia disse que foi esvaziada…

As pessoas nem sempre falseiam a verdade conscientemente. Constroem e se agarram a uma tese com tanta convicção que acreditam no que dizem.

Tempos depois, ficamos todos alarmados com o desaparecimento do Anderson por alguns dias. Reencontrado, recebeu ajuda para sair de São Paulo por uns tempos. Enquanto ainda estava aqui e depois de sua ida, eu, o Suplicy, assessores nossos e amigos ajudamos tanto o próprio Anderson quanto sua ex-esposa e filhas. Aliás, descobrimos aos poucos quantas pessoas contribuíram com recursos financeiros em quantidade suficiente para que nem ele nem elas estivessem vivendo o perrengue absurdo em que se encontram.

Mas o Anderson, como é comum acontecer, se atrapalhou inteiro com o dinheiro e criou inúmeras situações desagradáveis, tensas e preocupantes. Somando-se isso a uma crise de depressão, isolamento e solidão, partiu para Salvador. Uma amiga em comum, a Luciana, o tinha acolhido em sua casa e “costurou” a viagem.

Agora, de lá de Salvador, o Anderson vem dizendo que saiu de São Paulo em função de ameças sofridas por um assessor da Cohab, que teria colocado a guarda civil e PM no seu encalço.

Não há NENHUM elemento que indique que isso é real. Além de sem sentido (da Cohab? PM??), a própria atitude do Anderson, se fosse verdade, teria sido completamente diferente. Teria procurado parlamentares, advogados, Defensoria, Pastoral, jornalistas, militantes para fazer essa denuncia e protegê-lo.

Então, a todos que se preocupam com o Anderson, digo: ele precisa de apoio, precisa de ajuda (e a família, mais ainda). Mas porque está vivendo um momento de desorganização e sofrimento mental, e mandar dinheiro para uma conta na Bahia não é o que vai ajudá-lo. Nem desencadear uma ação para denunciar algo que nem mesmo ele foi capaz de explicar melhor. Aqueles que tiverem contato direto com ele podem tentar ajudar a reconstruir sua estabilidade psiquica-emocional, atentos ao que é real e o que é criado.

Da minha parte, sigo apoiando as filhas e a postos para ajudar no que eu puder para que o Anderson supere essa nova fase difícil da sua vida.

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Last modified: 5 de março de 2020

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