Mandato da Vereadora Soninha Francine

Temas frequentes

Qual a carreira política da Soninha?

  • Soninha está em seu segundo mandato como vereadora (2005 a 2008 e 2017 a 2020). Foi candidata duas vezes à Prefeitura de São Paulo, em 2008 e 2012, com 297 mil e 162 mil votos respectivamente. Nesse meio tempo, recebeu a árdua missão em ser subprefeita da Lapa, em 2009. Em 2014, concorreu para deputada federal por São Paulo e em 2016 se elegeu vereadora com mais de 40 mil votos. Foi secretária municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (jan-abril/2017) e assumiu sua cadeira de vereadora no parlamento paulistano em maio de 2017.

Quais são suas intenções como vereadora?

  • Quero, em primeiro lugar, ter mais poder para fiscalizar o Executivo e a própria Câmara. Hoje eu fiscalizo sozinha (dados oficiais como contratos, licitações etc e os serviços “reais”, como Saúde, transporte público e assistência social) e reclamo na ouvidoria, posto na internet, compareço às audiências públicas, mando para a imprensa, aciono vereadores e… Nada! Não adianta! E quero fazer propostas concretas de novos serviços e equipamentos públicos (dois exemplos: convênio com clínicas veterinárias para atendimento de animais da periferia, em vez de oferecer apenas dois hospitais veterinários para a cidade toda; áreas para moradores de rua usarem o banheiro, tomarem banho e lavarem suas roupas). Isso significa bater às portas dos órgãos do Executivo, unir forças com outros vereadores, destinar recursos orçamentários, etc.

Qual região de SP você atua ou pensa em atuar?

  • Tenho minhas conexões mais fortes em algumas regiões, como a Zona Norte (Brasilandia, Peri, Cachoerinha, onde atuo voluntariamente em favelas e com moradores pobres); Centro (Moinho, Sé, Minhocão etc, com população de rua); Zona Leste (idem). Mas atuo mais “por tema” do que por região: mobilidade, moradores de rua, políticas para mulheres, juventude e LGBT (e estou cada vez mais mergulhada nos problemas dos idosos!!), cultura, esporte, animais, sustentabilidade, moradia…

Por quais motivos você escolheu o PPS ao sair do PT?

  • Desde a primeira abordagem eles [dirigentes do partido] fizeram uma proposta muito sedutora pra mim, que é a garantia de independência – a frase que eu ouvi era, literalmente, “venha ser independente com a gente” – porque a maior dificuldade em qualquer lugar em que eu estiver é ser obrigada a defender o que eu não acredito. Ou ser obrigada a me opor ao que eu concordo. Vejo que, muitas vezes, em um partido, é isso que esperam de você: que você deixe uma parte de suas convicções na chapelaria na entrada e aí, em nome de “um projeto maior para daqui a dois anos”, você vota contra uma proposta a que, em princípio, você seria favorável. Então, me conhecendo muito bem, porque acompanharam esse meu tempo aqui de mandato na Câmara, disseram que o que em outros lugares seria problema, no PPS, seria muito bem-vindo, porque a ideia é debater, a ideia é ter posições claras, fortes. “É de problemas como você que a gente precisa”. Achei muito legal.

Quais problemas?

  • Da parte do próprio presidente do partido, numa coisa já mais específica, dizendo o quanto ele acha que algumas posições que defendo são muita caras ao partido, muito importante, uma discussão mais progressista de alguns temas polêmicos como drogas e aborto. Ele disse que ninguém no partido é obrigado a concordar com isso, ou seja, provando aquilo que me prometeram: que as pessoas têm o direito de ter ideias diferentes. Mas que a posição do partido é a favor da descriminalização do aborto, por exemplo. Então, sabendo que eu não fujo de temas controvertidos porque isso pode pegar mal pra mim ou coisa parecida, que é uma qualidade que eles desejavam ter com eles. Muito legal. A conversa nem começaria, caso não tivesse socialista no nome. Claro que eu só cogitaria entrar num partido que fosse de esquerda, para começar. Aí, finalmente, o que foi decidido foi a proposta de disputar a prefeitura de São Paulo e poder colocar nossos temas, fazendo nosso debate, com uma outra linguagem, com outro formato, diferente das outras campanhas.

Por que você saiu do PT?

Aborto

  • Não sou a favor da prática, mas a favor da descriminalização.

Fidelidade partidária

  • Acho que os partidos precisam ser fiéis a si mesmo, para começar. O troca-troca utilitarista é imperdóavel, mas algumas trocas são facilmente compreendidas.

Futuro do jovem

  • Os jovens costumam levar a fama injusta de serem os menos interessados em política. Geralmente comparam os de hoje com os do anos 60 para concluir que aqueles eram engajados e os de hoje são alienados. Acho injusto. Os jovens são os mais interessados, os que mais se perguntam o que eu posso fazer e como. E nos oferecem a idéia de outras forma de organização e de militância. O futuro do jovem é construir cada vez mais outras forma de engajamento e de militância.

O que a Soninha defende para as mulheres?

  • Nenhuma criança sem creche ou cuidado: Não haverá, no curtíssimo prazo necessário, vagas em creches públicas para todas as crianças. A demanda não atendida é descomunal. O poder público não tem o direito de atender uma parte das mães e deixar as outras à própria sorte – acredito que temos o dever de pagar “bolsas” em escolas particulares ou cuidadoras.
  • Educação e cultura contra a discriminação e a violência: Não vamos chegar a um mundo mais pacífico e seguro para nossas mulheres enquanto o “pancadão”, por exemplo, for a única alternativa de lazer para muitos – defendida inclusive como “cultura da periferia” a ser respeitada e preservada, enquanto o funk trata mulheres como cadelas.
  • Iluminação pública e zeladoria decentes na cidade toda, para mais segurança: Atravessar passarelas e locais de mato alto escuros e desertos trazem terror para todos, mulheres em especial. O item seguinte também fala por si.
  • Apoio às Mães de Desaparecidos: O tema dos Desaparecidos merece toda a atenção que formos capazes de dispensar – até porque prestar atenção é o melhor recurso de que as pessoas dispõem. Homicídios aparecem no noticiário, resultam em comoção e solidariedade. Desaparecimentos não… E mães vivem em desespero permanente sem amparo.

E sobre o uso da maconha?

  • Tanto o canabidiol quanto o THC são substâncias encontradas na maconha e que, segundo estudos científicos, têm utilidade médica para tratar diversas doenças, especialmente as neurológicas. “O que eu defendo, em redução de danos, e aí é super-heterodoxo, não deveria ser mas ainda é, é você usar canabinóides como forma de reduzir os efeitos, o sofrimento da abstinência de uso de crack. Tem pesquisas científicas em universidades federais que indicam isso”.

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