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Um cidadão planetário em tempo real


Por Ricardo Ribeiro

Hoje, 5 de junho de 2008. Dia internacional do meio ambiente. Pena não ter muito que comemorar - A batalha continua dura, e a vaca está cada vez mais afundando no brejo. Aquecimento global, mudanças climáticas, savana na Amazônia, enchente no nordeste e degelo no ártico. Sem contar as já conhecidas guerras no Oriente Médio e na África, a fome na Ásia e na América Latina.

As incoerências e inconsistências das atividades humanas continuam nesse exato momento – agora são 11h50min – enquanto escrevo esse texto. Sentado em minha mesa com vistas ao vale do Anhangabaú, no centro de São Paulo, Penso em todas as coisas que não fiz e todas que preciso fazer hoje, e quase esqueci de escrever esse post.


Em minha mente agora vem a imagem da terra vista do espaço. Hoje é muito mais do que comum, encontramos em qualquer busca pela Web. Mas é possível se imaginar a primeira vez que foi vista? Exibida pela televisão? Posso citar aqui um depoimento de James Lovelock, famoso cientista e testemunha deste evento – trabalhava para a Nasa naquela época: ”A constatação mais evidente da visão da Terra vista do espaço, ouvida nos burburinhos de todos que estavam presentes: a terra não apresentava fronteiras, não se via um só de seus habitantes, nem mesmo algo que diferenciasse animais, plantas ou o ser humano. A terra se apresentava como um único ente, girando externa e internamente em sua dinâmica própria, flutuando na escuridão. E mais impressionante: parecia estar viva.”

Independente das diversas configurações ideológicas – e religiosas - que visão originou, a mais importante delas é que estamos todos intrinsicamente ligados neste contexto planetário, e todas as nossas ações causam impacto no ambiente, por menores que possam parecer.

Raquel Carson e sua “Primavera Silenciosa” desde a década de 60 já alertava a todos sobre o perigo das atividades humanas para o ambiente. A preocupação ainda era local – o silêncio dos pássaros envenenados por pesticidas – mas tornava transparente a sua preocupação com o ambiente a sua volta. Hoje ainda fazemos como ela, claro que com muito mais facilidade – guardadas as devidas proporções – pelo impacto que o movimento ambientalista provocou na sociedade mundial.

Mas a compreensão de que fazemos parte da mesma coisa ainda é distante do pensamento das pessoas. Olho pela janela e vejo as pessoas andando, de um lado para o outro, indo para seu trabalho ou saindo dele para outros afazeres; pessoas apenas sentadas, olhando o mundo, conversando com amigos, vendendo e comprando coisas, pagando contas e reclamando da vida. Quantas dessas pessoas pensam agora no meio ambiente, em como conservá-lo, como recuperar o que foi perdido? Quais delas realmente percebem as conseqüências de seus pequenos atos no contexto socioambiental?

Tenho o mesmo pensamento quando leio os jornais, vejo a televisão ou a internet: Pessoas ali, trabalhando, escrevendo, lendo discutindo questões supérfluas ou fundamentais para o desenvolvimento humano. Mas por detrás desses programas, roteiros, notícias e textos estão pessoas, com suas angústias pessoais e coletivas, compromissos e descompromissos pessoais, sociais, econômicos, ambientais; pessoas que foram comunidades, que formam nações, estabelecidas em continentes, biomas e ecossistemas, participando ativamente dessa grande entidade chamada planeta Terra.

E minha mente retorna a visão anterior – A Terra, pulsando e respirando assim como eu mesmo.

Devemos buscar essa compreensão para realmente tomar atitudes efetivas na direção da sustentabilidade ambiental. E, nesse caso, resolver os conflitos bélicos, religiosos, e sociais passam a ser prioridade frente às ambições próprias - de pessoas e de nações.

Mais ainda: entender a inseparabilidade entre o eu e outro, entre meus conflitos e os conflitos mundiais.

Pensar que a sua saúde depende da saúde do outro; e destas depende a saúde do planeta.

E, a partir daí, agir. Pensar, ler, escrever, planejar, resolver, avançar.

Ser cidadão planetário; Agarrar a vaca, ajudar a tirá-la do brejo em cada uma das incontáveis atitudes do dia-a-dia.

Amar, sorrir, compartilhar, viver.

Parece tão simples, não é mesmo?

Tão simples como escrever essas palavras nesse mesmo instante.