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Crônica da negociação pelo Tendal da Lapa, Passo a Passo
por Maurício García



Tudo começou quando, meses atrás, recebemos um e-mail denunciando a existência de um acordo entre o Governo do Estado e a Prefeitura, por meio do qual esta última cederia toda a área da Subprefeitura e do Tendal da Lapa para a construção de um Poupatempo.

Entramos em contato com a Coordenadora de Ação Social e Desenvolvimento da Subprefeitura da Lapa, Rosângela Mota Zanetti, que confirmou o acordo, e acrescentou que estavam negociando o espaço de uma antiga escola para abrigar a Subprefeitura e parte das atividades do Tendal - as atividades teatrais seriam transferidas para o Teatro Cacilda Becker.

Procuramos então pelo Coordenador do Tendal da Lapa, Marcos Ozzeti, que nos colocou em contato com uma comissão de usuários do Tendal que estava sendo formada para brigar contra o seu fechamento.

Marcamos uma reunião com essa Comissão no próprio Tendal, quando ficou decidido que iríamos recolher assinaturas contra o fechamento, e que também realizaríamos um ato cultural em protesto ao mencionado acordo.

O ato foi realizado em frente ao terminal de ônibus e estação de trem da Lapa, com apresentações de teatro, mímica, samba de roda, capoeira e outros. Ao final, fomos todos em direção à Subprefeitura, em forma de cortejo, com batuques e cantigas de roda.

Chegando lá, fomos impedidos de atravessar o portão – algum mal-entendido fez com que pensassem se tratar de uma manifestação de camelôs. Só autorizaram a entrada da Soninha e a minha.

O Chefe de Gabinete, Roberto Nappo, finalmente nos recebeu, e confirmou a intenção de desmantelar o Tendal, mandando cada tipo de atividade para um local diferente. A Soninha retrucou, argumentando sobre a importância de se manter, num mesmo local, a diversidade cultural da região, para que houvesse uma troca de experiências e conhecimentos; ele alegou que o Tendal era freqüentado por “umas 40 pessoas”, sugerindo que não valia a pena o esforço. Então a Soninha pediu para que ao menos ele recebesse alguns representantes do Movimento. Ele aceitou e quando lhe estenderam a cópia do abaixo-assinado - umas 90 folhas com assinaturas contra o fechamento do Tendal - comentou – “é... não são apenas 40 pessoas....” .

Percebendo que a Subprefeitura não faria nenhum esforço para encaminhar a questão, a Soninha pediu uma audiência com o Prefeito – que tinha autorizado a negociação do terreno da Sub com o governo do estado, mas, surpreendentemente, não tinha sido informado que no espaço existia uma Casa de Cultura. Na mesma hora, ligou para o Subprefeito e ouviu os mesmos argumentos dados por Nappo, ou seja, que o espaço era freqüentado por pouquíssimas pessoas e que quase não existiam atividades culturais no local. Detalhe: é da responsabilidade do Subprefeito investir em atividades culturais nas Casas de Cultura de sua região... Sua afirmação era praticamente uma confissão de desdém e de boicote ao Tendal. A Soninha insistiu na importância da Casa de Cultura para o bairro, a região e para a cidade toda – São Paulo se orgulha de ser uma “capital cultural” e freqüentemente despreza e ignora sua memória e sua própria cultura.

O prefeito ouviu, entendeu e concordou. Mandou que fossem suspendidas as negociações – que envolviam a cessão, pelo governo do estado, de um prédio para a expansão da biblioteca Mario de Andrade. E determinou que a Secretaria de Cultura passasse a fazer parte do processo. Respaldando as afirmações do movimento, a primeira atitude do Secretário foi enviar uma carta ao Prefeito com números e outras informações sobre a importância do Tendal.

Pressionado, o governo do Estado enfim concordou em transferir o prédio do IPESP para a Prefeitura – desde que o Poupatempo ocupasse o terreno em questão. O Calil e a Soninha resistiram: não haveria outro lugar adequado para o Poupatempo? O Secretário de Gestão, que desde o início era o encarregado, pela prefeitura, de fazer a intermediação com o estado, garantiu que não. Nenhum outro espaço tinha as mesmas dimensões, a mesma localização estratégica (perto da estação do trem e terminal de ônibus, etc.) e as mesmas condições de receber uma intervenção urgente como a que se pretendia fazer.

O Calil não desistiu. Saiu ele mesmo em busca de outro espaço, e encontrou um galpão enorme à venda na própria rua Guaicurus, a um quarteirão do Tendal, separado da Subprefeitura apenas pela Rua do Curtume. Ofereceu o galpão para a instalação do Poupatempo. A Secretaria de Gestão deu parecer contrário: primeiro, porque a área cedida era de 8 mil m2, e o galpão tinha pouco mais de 4 mil. Segundo, porque a essa altura já estava pronto o Projeto Executivo – última etapa antes da realização de uma obra. Refazer tudo desde o projeto arquitetônico implicaria um dispêndio enorme de recursos (tempo e dinheiro). E colocaria em risco a cessão do prédio para a biblioteca, que também era urgente.

O Prefeito decidiu, então, que o galpão deveria ser adquirido para receber o Tendal. Ordenou que se editasse com urgência um decreto de utilidade pública – primeira providência necessária para que um imóvel seja desapropriado, isto é, comprado pelo poder público. E determinou que ele fosse reformado o quanto antes para ter condições de receber as atividades do Tendal de modo que elas não precisassem ser interrompidas, ainda que a reforma total do espaço leve mais tempo. Isso só ocorreu por causa do barulho e protestos da galera do Tendal – que chegaram ao Prefeito através da Soninha.

Antes desse decreto ser publicado e da decisão ser tornada pública, no dia 07/02 saiu no Diário Oficial decreto do Prefeito transferindo os espaços da Subprefeitura e do Tendal para o Governo do Estado. Assim que soube, o Movimento em Defesa do Espaço Cultural Tendal Da Lapa convocou uma reunião para o dia 11, para tomar posição.

Ao contrário do que pensam muitos dos que entraram para o movimento contra a transformação do Tendal em Poupatempo e não acompanharam todo o processo dessa luta, acredito que temos sim o que comemorar. Se dependesse dos órgãos inicialmente envolvidos na negociação – Subprefeitura e Secretaria de Gestão – o Tendal ia ser desmantelado sem dó. Sabemos como as coisas funcionam: na mídia, prefeitura e estado tentariam desqualificar o movimento (“coisa de petista”) e vender a idéia de que o Poupatempo é muito mais importante do que as atividades de “meia dúzia de gatos pingados”. E depois de anos em que o Tendal sobreviveu muito mais graças ao empenho dos freqüentadores do que por investimento do poder público, conseguimos um lugar que, além de vizinho ao antigo Tendal, é maior e poderá abrigar mais pessoas e atividades.

O cronograma é o seguinte:

1º - Desapropriação do prédio que abrigará o Centro Cultural da Lapa. Isso deve levar uns dois ou três meses;

2º - Adequações mínimas para receber as atividades do Tendal da Lapa;

3º - Transferência das atividades do Tendal para o novo prédio. Reuniões com a comunidade para definição de um projeto para o Centro Cultural;

4º - Transformação/ adequação do espaço, conforme projeto definido junto com a comunidade.

Soninha publicou vários comentários sobre a questão em seu blog – dá uma olhada por aqui)

(E veja, por aqui, algumas fotos do Espaço decretado de Utilidade Pública, para possível transferência do Tendal da Lapa)