15/03/2005 Problemas no cursinho da Poli
Ontem, segunda-feira, tivemos uma reunião no Gabinete com alunos, ex-alunos e ex-diretores do Cursinho da Poli, que estão seriamente preocupados com os seus rumos. “Poli” é a Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo); é a faculdade que oferece os cursos de engenharia. O cursinho pré-vestibular foi criado pelo Grêmio Politécnico para oferecer maior possibilidade de acesso à universidade pública, preparando estudantes em situação sócio-econômica desfavorável. O cursinho cresceu muito nos últimos anos. Tem sede própria, atende milhares de estudantes e recentemente inaugurou novas unidades. Mas... tem problemas. O primeiro, mais evidente, é o preço da mensalidade. Ainda que seja muito menor do que a dos cursinhos estritamente comerciais, é alta demais para o conceito de “comunitário” – vai de R$ 150,00, para os cursos de final de semana a R$260,00, nos cursos matutinos! Há concessão de bolsas, por meio de convênios. A prefeitura, por exemplo, subsidia 60% da mensalidade de bolsistas. O cursinho, portanto, só abre mão de 40% do valor. Mas o que é mais grave: bolsistas receberam ameaças de terem o benefício cancelado caso participem de assembléias para discutir a administração do cursinho. A idéia do cursinho não era apenas preparar para o vestibular, mas preparar para a universidade, oferecendo uma formação ampla e não apenas técnicas e recursos para enfrentar a prova de seleção. E havia a preocupação de beneficiar toda a comunidade do entorno, convidando a população para inúmeras atividades, debates, exposições, festivais, etc. Mas agora o acesso sofreu restrições com a instalação de catracas que barram até mesmo politécnicos, isto é, alunos da escola que criou o cursinho e que lhe empresta o nome. Imagine a vizinhança... Pra piorar o quadro: quatro professores foram demitidos alegadamente por divergências pedagógicas. No entanto, o material pedagógico assinado por um dos demitidos continua sendo adotado pelo cursinho, tornando a justificativa um pouco... inconsistente. E agora o cursinho anunciou a intenção de abrir cursos particulares de ensino médio e superior – usando o nome da USP (afinal, ainda é o “Cursinho da Poli”)! E a intenção de criar uma Fundação cujo conselho seja formado pelos fundadores do cursinho – que teriam a incumbência de eleger o conselho seguinte, em um processo bem pouco democrático. Enfim, esses são alguns dos problemas levantados por aqueles que nos procuraram. O tema nos preocupa, porque se trata de uma instituição de interesse público. Acreditamos que alguns pontos podem ser discutidos por via jurídica; outros, através de mobilização e pressão. Mas essa é apenas uma das questões com que nos deparamos todos os dias... Dar conta de relatar tudo o que discutimos aqui já é difícil. Imagine lidar com os problemas todos, e tentar resolvê-los de verdade. |