Mandato da Vereadora Soninha Francine

Despoluição dos rios Pinheiros e Tietê: é possível sonhar (e fazer)!

21 de setembro de 2018

E aquele cheiro insuportável?

Quem nunca passou pelas margens dos rios Pinheiros e Tietê e não se impressionou negativamente com tanto lixo jogado nas margens ou boiando? São mais de 50 quilômetros de extensão nas duas marginais dentro da cidade de São Paulo e mais de 1000 Km cruzando o Estado. Um gigantesco lixão a céu aberto.

No dia 22 de setembro o Tietê completa mais um aniversário, mas sem muitos motivos para comemorar.

Segundo historiadores, tem pelo menos 6 mil anos que populações se utilizam da bacia hidrográfica do rio, com destaque no período dos bandeirantes e até mesmo na eletrificação da cidade de São Paulo.

Tietê já foi cenário de nado, pesca e prática de esportes radicais no século passado.

Hoje o cenário na Capital é desolador. Todos os dias são retiradas mais de 100 toneladas de lixo do Tietê, e despejados mais de 1,6 bilhão de litros de esgoto diariamente em seu leito – o que equivale a 670 piscinas olímpicas de muita sujeira.

A gente não se conforma com isso!

São anos e anos de promessas de despoluição pelos diversos governos que passaram. De fato, nada (ou quase nada) foi feito para que os dois rios mais importantes do Estado de São Paulo pudessem ganhar vida e beleza.

O mandato da Soninha resolveu arregaçar as mangas

Desde o ano passado estamos realizando diversas reuniões, fazendo articulações, participando de seminários, estudos, palestras e adquirindo muito conhecimento para que o Tietê e o Pinheiros voltem a respirar.

Tivemos diversos encontros com gente que entende (e muito!) do assunto: Gil Scatena – Coordenador de Planejamento Ambiental da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (CEPLAN), Ricardo Young – ex-vereador de São Paulo e grande estudioso do assunto, Stela Goldenstein – ex-coordenadora do Águas Claras do Rio Pinheiros, Monica Porto – ex-secretária adjunta de Saneamento e Recursos Hídricos e professora da Escola Politécnica da USP, Prof. Sadalla Domingos – engenheiro civil especializado em hidráulica e saneamento pela EESC-USP e professor da Escola Politécnica da USP, integrantes do Comitê Gestor dos Serviços de Água e Esgoto da capital, SABESP, CETESB,  e muitos outros especialistas na área.

Professor Sadalla Domingos, da Poli/USP, para uma aula sobre os rios na cidade de São Paulo. Veja na íntegra:

Com tanta informação em mãos, nosso Núcleo de Planejamento foi atrás de teses e projetos desenvolvidos sobre o tema, estudamos o contrato da SABESP e o relatório da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que teve na Câmara sobre esse documento.

Já existem alguns projetos em andamento por pessoas que sempre lutaram pela despoluição dos dois rios.

Um bastante simples é o de criar uma mini estação de tratamento de água, em estabelecimentos que não são abastecidos por água tratada, com vazão de dois mil litros por hora. O custo é de apenas R$ 1,7 mil e possibilita que o que é jogado fora seja devidamente tratado antes de ser despejado pelo esgoto.

Outra iniciativa bem bacana é o Projeto Água é Vida, que tem como objetivo a revitalização de nascentes pertencentes aos pequenos agricultores.

Pesquisamos também o Sistema Modular de Gestão de Águas Residuais, uma tecnologia que utiliza materiais básicos e de fácil acesso para converter o esgoto doméstico em água sem poluição e rica em nutrientes.

Veja algumas medidas que nosso gabinete tomou:

Jaguaré
Queremos que o projeto feito pela Associação Águas Claras do Rio Pinheiros e financiado pela FEHIDRO se concretize, divulgando o projeto, articulando com os envolvidos e destinando recursos orçamentários.

Construção do Parque Linear do Córrego da Água Podre
Após a visita ao córrego localizado no Butantã, começamos a pesquisar o processo e articular para que se torne realidade. Estamos acompanhando todas as reuniões sobre o tema, defendendo recursos orçamentários e extra-orçamentários, requerendo informações, solicitando Audiência Pública e articulando dentro da Prefeitura.

Compostagem
Convidamos o Guilherme Turri para palestrar sobre compostagem para nosso gabinete e estamos pesquisando mais sobre o tema. Ele é um grande especialista na área e nos ajudou muito com diversas informações. Relembre:

Catadores como prestadores de serviço para destinação de recursos
Fizemos uma reunião com o Pimp My Carroça e um dos encaminhamentos foi a viabilidade de remunerar os catadores pelo serviço ambiental prestado. Conversamos com o Prefeito Regional da Lapa, Carlos Fernandes, que levou o tema ao Secretário das Prefeituras Regionais. A vereadora Soninha também levou o tema para uma reunião com o prefeito Bruno Covas. Todos juntos estamos estudando formas para viabilizar essa remuneração.

Campanha “Último Canudo” da Comissão do Meio Ambiente
O Dia Mundial do Meio Ambiente marcou o lançamento do movimento “Último Canudo”, que pretende reduzir drasticamente o consumo do plástico utilizado em bebidas. A iniciativa é da Comissão de Meio Ambiente da Câmara, da qual a vereadora Soninha é membro.

Mercados Municipais
Fizemos reuniões com os administradores e permissionários dos Mercados Municipais Central, Lapa e Ipiranga para tratar sobre o tema da destinação do lixo orgânico.

Fórum Lixo Zero
Participamos do Fórum Lixo Zero e estamos acompanhando a organização da Semana Lixo Zero e demais iniciativas dos participantes.

Nossa inspiração

Alguns dos casos mais emblemáticos de despoluição são dos rios Han e Cheonggyecheon, na Coreia do Sul. No início do século o governo sul-coreano declarou guerra contra a poluição e a ocupação desenfreada de suas margens.

A Segunda Guerra Mundial, a Guerra da Coreia e o próprio crescimento industrial do país asiático tiveram um grande papel na poluição das águas do Han. Na década de 90, com o plano de Desenvolvimento e Implementação de Gestão da Qualidade de Água, o cenário começou a mudar: a despoluição do rio Cheonggyecheon também contribuiu muito para a melhora da qualidade da água do Han, já que era de lá que o esgoto vinha carregado. Apesar de a situação ter melhorado, seu processo de despoluição total ainda está em curso.

O Han é a única fonte de abastecimento dos 10,3 milhões de moradores de Seul. Os 40 córregos que cortam a cidade deságuam ali. Todos têm a água monitorada constantemente, em estações de saneamento.

O esgoto doméstico também não é mais despejado no rio: seis estações garantem seu devido tratamento. É proibida, ainda, a instalação de fábricas ao longo do rio, que possam poluir suas águas.

Uma parte do projeto prevê acabar com os carros nas marginais do Han. A ideia do governo é construir pistas subterrâneas para todos os veículos e depois tornar as margens do rio o mais natural possível. Hoje, a natureza ocupa apenas 14% da extensão das margens. No final do projeto, a intenção é que isto ocorra em quase 90% da beira do rio. Já existem 12 parques às margens do rio.

Com relação ao Cheonggyecheon, além de a descontaminação ter se dado em tempo recorde (apenas quatro anos), os benefícios foram desde a diminuição da temperatura da metrópole Seul, até mesmo para melhoras na sua situação econômica. O plano de revitalização foi iniciado em meados de 2003, com a implosão de um viaduto antes situado sobre o rio. Além disso, foram criados parques no seu entorno, ampliando a área verde da cidade. À época, o processo custou em torno de U$ 370 milhões.

Veja uma matéria bem completa que o Jornal Nacional produziu:

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Last modified: 21 de setembro de 2018

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