Mandato da Vereadora Soninha Francine

“Operação Estapafúrdia com Cobertura “Jornalística” Idem” – Por Soninha Francine

28 de julho de 2020

“Hoje teve mais um episódio da série “Operação Estapafúrdia com Cobertura “Jornalística” Idem”.

A PF esteve na casa do governador Wellington Dias, do Piauí – e uma das repórteres fez questão de dizer “em um condomínio de luxo”, o que não só é desnecessário como, nesse caso, induz à condenação antecipada.

Tentar entender o caso usando as reportagens não é fácil. Queria sentar à mesa com os autores e dizer “me explica direitinho o que aconteceu; quais os fatos incontestes e as hipóteses da Polícia Federal”.

Porque é impressionante como as hipóteses, mesmo as mais tresloucadas, viram fatos.

Leiam este conjunto de frases tiradas de uma mesma matéria:

“Servidores da cúpula da SEDUC teriam desviado no mínimo R$50 milhões do Fundeb e do PNATE”. (…)

“Só neste primeiro momento [contratação fraudulenta], o prejuízo já seria de cerca de R$ 3 milhões”.

“Ainda não é possível estimar com precisão o prejuízo geral. Fazendo uma projeção, 40% do que foi executado até agora, sobre o total de recursos de 2015 para cá, chegaria em R$ 191 milhões desviados”, explicou.

Repita:

“40% do que foi executado até agora, sobre o total de recursos de 2015 para cá, chegaria em R$191 milhões desviados”.

O editor tinha de ler isso e dizer “Me explica, que eu quero ver se você entendeu o que escreveu”.

E em seguida surgem outros prazos e valores em pé nem cabeça, que não “ornam” com esse texto acima:

“De acordo com a PF, os desvios teriam ocorrido entre os anos de 2015 e 2016” [Então por que cazzo dizer “de 2015 para cá”?]

“Nesta terceira etapa da operação, a PF informou que os contratos somam R$ 96,5 milhões para a prestação do serviço de transporte escolar, que foram celebrados em 2019 e 2020, após as primeiras fases da investigação”.

Esse número de R$96,5 milhões pelos contratos celebrados em 2019 e 2020 não ajuda em NADA NADA NADA a esclarecer o que quer que seja sobre esse caso. Ou é inútil ou é pior ainda – confunde.

Aí depois de um monte de parágrafos desconjuntados, que pretensamente explicam o caso (?!), publicam a nota do governador lááá no final. Que pode estar simplesmente se defendendo, claro, mas pode estar falando a verdade (mas repórteres publicam notas sem verificar nada, apenas para poderem dizer “ouvimos as partes”).

O governador diz que “as investigações são contra empresas acusadas de fazer cartel e referentes a processos e contratos do ano de 2013, quando ele não era governador do estado”. MANO. O.O

“Uma operação nestes moldes se torna desproporcional e desnecessária já que estamos falando de um fato de 2013 e em um processo em que a ex-secretária da Educação, hoje deputada federal, por meio de seu advogado, se prontificou, por duas vezes nos últimos meses, para prestar esclarecimentos, bem como para repassar todo e qualquer documento ou equipamento necessário”. CONCORDO.

PRA QUE BUSCA E APREENSÃO NO GABINETE DA DEPUTADA EM BRASILIA EM 2020 PARA APURAR UMA DENUNCIA DE CINCO ANOS ATRÁS SOBRE UM CASO QUE TERIA ACONTECIDO NO PIAUÍ SETE ANOS ATRÁS?

O QUE ELES ESPERAM ENCONTRAR, MANCHAS DE SANGUE? EXTRATOS BANCÁRIOS? DINHEIRO VIVO? BILHETES COMPROMETEDORES?

“O governador ressalta que o Estado é vítima e o maior interessado na resolução desta questão e irá trabalhar para que tudo seja plenamente esclarecido”. Sim, se em 2013 empresas formaram cartel, em conluio com servidores públicos (ou não) e o Estado foi prejudicado, isso não quer dizer que o atual governador ou a Secretária de Educação “desviaram recursos do Fundeb”.

Se tiverem sido omissos, coniventes ou beneficiados pelo que quer que seja, devem ser devidamente penalizados por isso. Mas com uma acusação tão caótica e operação tão sem sentido, noticiada pela imprensa com o desleixo espetaculoso de praxe, a frase “in dubio pro reo” é a única que me resta.”

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Last modified: 28 de julho de 2020

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