Mandato da Vereadora Soninha Francine

Projeto do Ibirapuera: Você LEU? Ou só ouviu falar?

2 de dezembro de 2020

O G-1 publicou uma matéria pavorosa, cheia de erros, sobre o Complexo Esportivo do Ibirapuera. Depois falam de fake news… Olha o que a imprensa faz.

O FATO é o que está no título da matéria (por incrível que pareça – normalmente a desinformação tem no título seu principal aliado): “Condephaat rejeita pedido de tombamento do complexo esportivo que abriga ginásio do Ibirapuera em São Paulo”.

Apenas isso: solicitaram ao Condephaat o tombamento do Complexo do Ibirapuera e o pedido foi rejeitado.

A matéria diz que isso “abre caminho” para que o ginásio seja demolido para a construção de uma torre comercial, de um shopping center… Baseando-se na palavra de “deputados que se opõem à concessão” e de “arquitetos e urbanistas”. Como uma professora da USP que diz o seguinte:

“Este projeto inclui a construção de uma arena e prevê a demolição de todos os equipamentos esportivos, com exceção do ginásio principal, que seria transformado em centro comercial. (…) Esse é um espaço marcante no conjunto da arquitetura moderna brasileira, fundamental para compreender as arquiteturas para o tempo livre e o lazer. O autor do projeto, Ícaro de Castro Mello, foi um atleta e consagrado autor de diversas obras relevantes esportivas em vários Estados e também na cidade. A defesa, portanto, do Ginásio do Ibirapuera e do Complexo Esportivo é também uma defesa do direito ao lazer e das políticas públicas relacionadas ao esporte“.

Bom, a própria professora diz que o ginásio não será demolido. o que já entra em contradição com o que dizem os deputados… Mas ela defende que o Complexo do jeito como está é uma “defesa do direito ao lazer e das políticas públicas relacionadas ao esporte”.

Só que vai CONTINUAR sendo um complexo esportivo, com estrutura muito melhor do que a atual! A Secretaria de Esporte aparece na matéria dizendo o seguinte:

“A concessão do espaço vai exigir do novo concessionário investimentos mínimo de R$ 220 milhões. Para que o local seja modernizado e esteja apto a receber competições esportivas das mais diversas modalidades, atendendo a requisitos de confederações nacionais e internacionais, o que não ocorre no formato atual”.

Mas é como se não tivesse dito nada. Foram completamente ignorados. O tom da matéria é, do começo ao fim, como se o Complexo fosse virar um shopping center. Bizarro.

Segue outra manifestação dos urbanistas: “O projeto [de concessão], tal como estruturado, representa séria ameaça à integridade física e ao funcionamento de um equipamento esportivo que, além de ser muito utilizado na formação de atletas no Brasil, é constitutivo da história da cidade de São Paulo e realização fundamental da história da arquitetura brasileira. Além disso, tem grandes valores de uso e afetivo pela comunidade esportiva que dele faz intenso uso desde os anos 1950”, diz a carta.

Como assim a Concessão “AMEAÇA o funcionamento de um equipamento esportivo”? A comunidade esportiva FEZ uso intenso, porque de uns anos para cá o Complexo está super defasado. Nem nos tempos áureos do Ginásio do Ibirapuera ele era uma maravilha. Eu adorava, mas sempre tinha problemas – muito calor, muito barulho… QUAL É O PROBLEMA DE REFORMAR PARA MODERNIZAR?

O governo hoje gasta R$15 milhões/ano pra manter o Complexo nesse estado meia-boca, inadequado para os padrões modernos. Em vez de investir ali, prefiro mil vezes que gaste na periferia, cazzo. MAS os super defensores de “inverter a prioridade do gasto público, apontando para a periferia”, estão super contrários a esse projeto de Concessão do Complexo… Querem que continuemos usando recurso público para o complexo NOS JARDINS.

Um grupo da FAU afirma: “A proposta em curso de transformação do Complexo em equipamento privado alterará de maneira grave e irreversível a sua materialidade”. De novo, um ERRO, pra não dizer uma mentira: o Complexo NÃO SERÁ TRANSFORMADO EM EQUIPAMENTO PRIVADO. Uma concessão não tira o caráter PUBLICO de um equipamento; apenas transfere a responsabilidade pela gestão, permitindo que o concessionário, desde que cumpra as obrigações previstas no contrato, obtenha receitas com a exploração de determinados serviços. Também de acordo com o que o contrato e as leis permitirem – o Ibirapuera JÁ É alugado para eventos, mas o que é arrecadado não serve nem pra manter em ordem, quanto mais para melhorar.

No fim, a matéria traz outra nota da Secretaria de Esporte que é solenemente ignorada: “Com a concessão, eventos de todos os segmentos também serão ampliados, uma vez que haverá a implantação de uma moderna arena multiuso equipada com a tecnologia plug and play, ar condicionado, poltronas reclináveis e tecnologia em todo o complexo”.

Ou seja, o jornalista pega um pedaço daqui, outro dali, junta tudo em um texto e o leitor que se vire para descobrir o que é fato e o que é opinião. E a imprensa tem uma tendencia a acreditar que a oposição é sempre quem fala a verdade… Ok, temos muitos motivos para acreditar que governos mentem. Mas não tem que simplesmente acreditar em um nem no outro, tem de APURAR, cazzo.

***

Numa discussão sobre o assunto em um grupo de moradores de Perdizes, o argumento final, conclusivo, que me fez jogar a toalha foi: “Não como coxinha”.

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Veja a Apresentação complexo do ibirapuera (clique para ler a apresentação). Como sempre, estou vestindo minha camiseta “Você LEU? Ou só ouviu falar”?


Veja também:

1ª Consulta Pública – Elementos prévios
Notícias oficiais sobre a concessão – Secretaria Estadual de Esportes

Nota da Assessoria:

A vereadora Soninha Francine solicitou que enviem os pontos de discordância contidos no edital e sugestões para que ela tente influir no processo, caso concorde com as colocações.

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Last modified: 3 de dezembro de 2020

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