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Tentando explicar para a Julia

A Julia (minha filha mais nova) me viu triste, e perguntou: “Que foi, mãe? Vão te expulsar do PT?”. Claro que ela ouve as notícias todas e não entende nada. Sabe que tem alguma coisa aí com o PT que não é boa; sabe que eu sou do PT. Não sabe quem tá certo, quem tá errado, qual é o erro. Só me ocorreu dizer: “Julia, sabe quando alguém da sua classe faz alguma coisa errada e a classe toda leva a culpa? Quando a professora diz :“Vai todo mundo pra diretoria”; e a diretora diz: “Essa 2a. série A só me dá problema; tá todo mundo de castigo!” -- você acha isso certo? Não dá a maior raiva? E quando nem sabem ainda se foi mesmo alguém da sua classe que fez coisa errada, e o que foi que fez? Já pensou?”.

Eu sei que soa pueril, ridículo. Vá explicar de outro jeito para uma pessoa de 8 anos. Mas em essência, é isso aí mesmo. E cabem muitos outros exemplos nesse modelo. Quando criticam a mídia, por exemplo, dizendo que “a televisão só tem lixo”, eu me defendo. Quando dizem que a culpa pela violência, o desrespeito, o descaso, a indiferença, a irresponsabilidade, o sexismo, o racismo, o consumismo é da televisão, eu digo: “Pera lá! Minhas filhas vêem TV e não são racistas, indiferentes, irresponsáveis, consumistas, etc. Eu respondo pela educação delas, não a TV! Vamos compartilhar essa responsabilidade com os pais, a escola, o Estado”. Isso não quer dizer que eu negue a co-responsabilidade da televisão na formação dos valores que proliferam hoje; que eu não enxergue os muitos motivos que as pessoas têm para criticar e acusar a mídia. Mas eu faço questão de separar o famoso joio do famoso trigo, e de – repito o que já disse – compartilhar responsabilidades.

Todo mundo se sente um pouco assim quando vê uma matéria em jornal estrangeiro criticando o Brasil – a desigualdade social, a violência, a falência das instituições, o desmatamento. Ficamos ofendidos; reagimos de duas maneiras – 1) “Peralá, o Brasil não é só isso não, não é só desgraça, injustiça e atraso! Tem coisas belas, justas, inspiradoras, exemplares”; 2) “Macaco, olha o teu rabo! E o envolvimento do Bush com aquela empresa, daquele rolo? E as florestas que vocês destruíram na Europa e aqui mesmo na América? E a pobreza que vocês ajudam a manter na África?”.

Mas se essa reação for baseada na recusa de admitir que no Brasil temos TONELADAS de problemas, ela está errada. Ela é covarde, cínica, mentirosa.

Pois bem. Não, eu não tenho a menor ilusão de achar que no meu partido não acontecem cagadas homéricas. Que, no governo do meu partido, tudo funciona como eu queria que funcionasse, com a maior lisura e eficiência. Que no meu partido só existem pessoas decentes, honradas, incorruptíveis. É claro que não. Estamos falando de seres humanos, e de uma sociedade em que a corrupção é uma marca cultural. Dói dizer isso, mas queria muito que alguém me provasse o contrário.

Mas... 1) Não venham me dizer que todos os erros do mundo, todos os absurdos da política, todas as barbaridades da sociedade são do meu partido. Que nós fizemos ou fazemos tudo errado e que esgotamos o repertório de erros. Que não se salva ninguém. Que é uma instituição amaldiçoada.  A escória! 2) Não venham me dizer que ninguém mais erra, só o PT e os petistas... Que o governo Fernando Henrique não teve corrupção, fisiologismo, clientelismo, venalidade... Que os outros partidos são isentos, imunes, imaculados; que nos seus quadros de direção, nos postos políticos, nos cargos técnicos da administração, são todos impecáveis, honestos, corretos. (Ah, e o mesmo vale para a mídia – os veículos são todos imparciais, isentos, impolutos... Não há jornalistas e editores desonestos, venais, corrompidos... )

Não quero, (para quem ainda não entendeu!), dizer que o PT não tem nada de errado, nada a esclarecer, nenhuma culpa no cartório. Adoraria que assim fosse; que todas as acusações se provassem infundadas. Mas, como eu diria se o caso atingisse outro partido, me parece muito difícil que nenhuma delas se sustente... Infelizmente. Quero que tudo seja apurado, investigado com correção. Que a justiça seja feita. Que se façam todos os esforços para construir um governo, uma política e um partido que não se valham de expedientes ilícitos para se sustentar.

É como eu faço questão de trabalhar. Questão absoluta.

 
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